O aumento dos recibos verdes

Mais um dado do INE. Notícia do jornal Económico por Eudora Ribeiro:

Mais de 77 mil portugueses trabalhavam com recibos verdes no final de 2010, um crescimento de 14% face aos três meses anteriores.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) a que o Económico teve acesso revelam que se trata do maior aumento desde o segundo trimestre de 2000 e que os portugueses com menos de 34 anos e os licenciados são os reis dos recibos verdes em Portugal.

Os dados do INE também mostram que do total de 77,3 mil pessoas com contratos de prestação de serviços (recibos verdes ou semelhantes) que existiam em Portugal no último trimestre de 2010, a maior fatia correspondia a portugueses com o Ensino Superior, num total de 34,4 mil. Trata-se de um aumento de 27% face aos três meses anteriores e a maior subida desde o quarto trimestre de 2006 (+29%). Havia também 27,5 mil portugueses com o ensino básico neste registo laboral e 15,4 mil com o ensino secundário e pós-secundário.

Quanto à distinção por faixas etárias, a maior percentagem de portugueses com contratos de prestação de serviços tem entre 25 e 34 anos (35 mil). Outros 36 mil portugueses com mais de 35 anos também trabalhavam com este tipo de contrato no final do trimestre em análise.

O mesmo relatório mostra ainda que 9,2 mil portugueses entre os 15 e os 24 anos tinham contrato de prestação de serviços nos últimos três meses de 2010, mais 35% face ao trimestre anterior. Trata-se da maior subida dos últimos quatro anos.

O INE também divulgou hoje que a taxa de desemprego subiu para 11,1% no quarto trimestre de 2010, o valor mais elevado desde que há registos. Os jovens são os mais afectados pelo desemprego.

Tudo isto num trimestre em que a economia portuguesa contraiu 0,3% face ao três meses anteriores, o que correspondeu à primeira quebra trimestral num ano que coloca o País à beira da recessão.

http://economico.sapo.pt/noticias/recibos-verdes-com-maior-aumento-da-decada_111311.html

 

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6 respostas a O aumento dos recibos verdes

  1. Neste momento, as empresas andam muito assustadas. Têm medo de contratar. Sobretudo têm medo de integrar as pessoas no quadro. É difícil despedir um membro que está no quadro. Qual é a solução que encontram? Contratos a prazo. Como não é mesmo objectivo das empresas acabar por assumir o trabalhor nos quadros no final do limite das renovações, um contratado a prazo é na prática um contratado com data já prevista para o desemprego. Em épocas de pleno emprego, os empregadores vêem-se frequentemente obrigados mesmo a integrar as pessoas no quadro. Não as substituem facilmente. Neste momento, é muito fácil substituir um contratado a prazo, pois não estamos em época de pleno emprego. Não existe motivação para as empresas integrarem as pessoas nos seus quadros. Se fosse fácil e barato despedir, naturalmente seria muito melhor para uma empresa manter nos quadros um membro já integrado e já familiarizado na sua organização.

    A precariedade acontece porque, para proteger uns, os que são actualmente quadros, prejudicam-se todos os outros. Retira-se o mérito da equação e substitui-se pelo mero elemento de sorte, a sorte de já ter sido integrado nos quadros… daí ser a geração mais jovem a mais afectada. Não se criam empregos por decreto, mas através da actividade económica. Um mercado de trabalho que não assenta na meritocracia ainda dificulta mais o crescimento da actividade económica.

    Quanto aos recibos verdes, o problema não é o modelo de relação de trabalho em si, mas sim a fiscalidade e o modelo social. Quem fôr necessário às organizações não deixa de prestar os seus serviços só porque está a recibos verdes. Pelo contrário, provavelmente terá a sua continuidade mais assegurada que quem está contratado a prazo, pois não há uma obrigação de integração nos quadros ao fim de certo tempo. Estou naturalmente a abstrair-me de toda a questão dos recibos falsos. Lá está, não se cria emprego e trabalho por decreto ou por leis. Neste caso, destroi-se, porque, comparando quem está a recibos verdes e quem está nos quadros, em caso de decrescimento da economia e redução de trabalho, quem perde é sempre o trabalhado dos recibos verdes.

    Quando ao modelo fiscal e social, o grande problema dos recibos verdes é que foram pensados assumindo uma lógica de trabalhador liberal bem pago e com muita apetência para fugir ao pagamento de impostos e segurança social. Pensa-se em médicos e advogados bem pagos. Se no caso dos primeiros ainda não chegámos ao ponto de ter médicos mal pagos, há muitos advogados que auferem de muito poucos rendimentos. Encara-se o trabalhador independente como o ladrão de impostos e como alguem a quem se tem que ir buscar mais dinheiro. Esquece-se de toda a multidão que mal ganha para pagar os transportes e a sua comida e que está a recibos verdes. Obriga-se a essas pessoas a pagarem segurança social sem lhes dar as protecções inerentes ao pagamento da segurança social. Como é que é possivel, então agora, obrigá-los a pagar o mesmo contributo que iriam pagar como trabalhadores dependentes, sem lhes dar as mesmas protecções? Se um trabalhador independente tivesse ao menos o direito ao subsídio de desemprego, então seria uma situação mais justa. Como está, trata-se de uma confiscação. Dou de barato a legalidade da questão, mas é altamente contestavel a sua moralidade.

    Pessoalmente, não fossem estas questões, eu preferia o recibo verde. Se não há trabalho num lado, haveria noutro. Teria muito maior flexibilidade em oferecer o meu trabalho. Seria mais eficaz e eficiente para a economia. Perante o quadro fiscal e social que temos, prefiro mil vezes continuar como quadro de uma empresa, unicamente por ter maior protecção social advindo daquilo que pago directamente e indirectamente (através do pagamento imputado à empresa) à segurança social.

  2. Joao Ferreira diz:

    Qual é o problema de trabalhar a recibos verdes ? Todos os advogados do país trabalham a recibos verdes e isso não significa que tenham empregos precários ou mal remunerados.

    A luta devia ser contra a remuneração insuficiente que é atribuida aqueles que merecem mais. Devia ser contra a standardização da remuneração. Devia ser contra uma geração, em quer se seja bom, mais ou menos ou mau, se recebe sempre o valor tabela entre 500 e 1200.

    Os direitos adquiridos são uma farsa insustentável. Eu não quero direitos adquiridos. Eu não quero um contratozinho de trabalho. Eu não quero uma pensãozinha e um servicinho de saúde. Eu não quero uma vidinha. Quero ter direito aquilo que trabalho e que dou a ganhar. Quero ser pago pelo que produzo.

    Devia ser por isto e muito mais que estes movimentos se deviam bater.

    • ana anes diz:

      Quando tiver o AVCzinho e deixar de produzir é q vai ser uma chaticezinha…
      Sem servicinho de saúde e sem pensãozinha… ;-D
      Oh yeahhh!

    • Desculpe lá, mas você desconta 30~40% do seu ordenado ao estado, paga IVA, IRS, IRC, IMI, IMT, e tudo o mais a vida toda… e não quer nada em troca?!

  3. Não é a Geração à Rasca….são 3 gerações bloqueadas resultantes de uma globalização que faz tábua rasa dos mais elementares direitos (à greve, ao emprego estável, a uma vida mais saudável) e a herdar um passivo ecológico e económico tremendo…leiam mais nesta minha postagem http://bioterra.blogspot.com/2011/02/desemprecarios-vs-mercenarios-do.html
    Estão livres de a publicar.
    Abraços

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