Manifesto

Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.

Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.

Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.

Caso contrário:

a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.

b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.

c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.

Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.

Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.

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65 respostas a Manifesto

  1. Pingback: Manifestação da Geração à Rasca, à rasca com o dia seguinte | Aventar

  2. Camurça diz:

    Louvado dia 23 de Março de 2011…odiado por muitos e amado por milhões, mas agora faço a pergunta – ” E AGORA???”, ninguém sabe.
    Entretanto começo a procurar umas caixas de cartão para poder passar uma boa noite de sono.
    Sou um “puto” de 25 anos, cortei logo cedo o meu cordão umbilical, não sou licenciado, nem canudos debaixo do braço, simplesmente tenho o 12ºano e um curso tecnológico e “espumei-me” para o fazer, mas ainda tenciono tirar uma licenciatura.
    Já trabalhei em varios empregos, desde lavar escadas até serviços administrativos. Sinto-me ainda uma besta quadrada e tenho muito para apreender, mas uma coisa tenho a certeza. Cada vez mais sinto vergolha do meu país. Somos um povo com muita falta de civismo e ética. Continuamos a cuspir no prato que comemos.
    A culpa desta crise economica e politica é de todos nos, porque maioria dos portugueses só “beija” o seu país, quando existem jogos da selecção.
    Continuamos a dar palmadinhas nas costas a individuos que fogem aos seus deveres de cidadão.
    Desde de Abril de 74, que passamos a vida a falar de direitos e esquecemos que também existem deveres.
    Por causa destes erros, numa noite de nevoeiro teremos o regresso de D.Sebastião com o estandar-te do FMI.

    • Sónia Pereira diz:

      É bem verdade o que disseste! A culpa é de todos nós por permitirmos e compactuarmos com a mediocridade e hipocrisia. E também por não gostarmos do nosso país. Se as pessoas não “lavassem as mãos como Pilatos” as coisas nunca teriam chegado a este ponto. Se as pessoas tivessem aproveitado os fundo estruturais da U.E para desenvolver o país a longo prazo e trabalhar para o Futuro em vez de encherem os bolsos e estoirarem o dinheiro em luxos, estravagâncias e boa vida não teríamos agora que levar todos com o FMI. E mal por mal o FMI não pode ser pior que os governos que temos tido. E como alguém disse: ” Cada povo tem o governo que merece” … É uma vergonha de facto não por sermos portugueses, mas por termos deixado as coisas chegar a este ponto!

    • Maria Guimarães diz:

      Concordo plenamente! Se houvesse mais pessoas assim e que em vez de levarem porrada do País, chegassem a algum lado, talvez Portugal tivesse alguma hipótese (bem, alguns anos atrás, porque neste momento já é um bocadinho tarde). Eu saí do País com 36 anos, porque me fartei da luta contra o sistema e contra os sujeitos que referes que não se lembram dos seus deveres. Ainda tenho grande amigos em Lisboa e todos concordamos que fazemos parte duma pequena percentagem da antiga cultura portuguesa, daqueles que têm vergonha de ficar a dever….

  3. Maria Guimarães diz:

    Agora que o manifesto de 12 de Março 2011 já se realizou, procurei por notícias sobre este evento e SURPRESA!!!! O Público informou o evento, pouco se falou na televisão e a ideia que surge é que a nova geração que finalizou o curso juntou-se neste evento através do Facebook. Fala-se de desemprego de licenciados e seu descontentamento, mas fica-se por aqui. Que medidas pretendem tomar? Nenhumas, pelo que me parece. Porque só a queixa não chega.

    E não são só os licenciados sem experiência que estão sem trabalho ou com trabalho muito mal remunerado. Acabei a licenciatura de Gestão no ISEG (onde o Cavaco Silva foi licenciado , assim como outros de nome) e trabalhei em empresas multinacionais de nome (do topo de Auditoria e consultoria). Contudo, isso não me valeu quando a empresa donde ficou em situação de falência, porque não conseguia arranjar outro emprego. Depois duns anos, lá tive sorte e obtive outro emprego (2003), tendo ficado 1 ano e 4 meses desempregada e sem direito a desemprego (não vale a pena referir porquê, é mais uma das piiii… de Portugal). Este emprego era muito abaixo das minhas habilitações, mas quem quer trabalho é assim. Contudo, com contrato permanente depois de 1 ano e meio nesta empresa, fui “dispensada”. Como não poderia ser despedida, simplesmente asseguraram que eu (e mais colegas) não entrava mais no escritório da empresa e quando não pagaram o salário por 2 meses seguidos, tive eu de proceder ao meu despedimento por justa causa (falta de salário pago). A empresa ainda tentou (sem sucesso, claro, porque sou boa profissional e ainda por cima sobre-qualificada para esta função) arranjar uma justa causa para o meu despedimento e impedir de que eu continuasse a exercer a minha profissão num novo local (técnica de contas). Como durante este ano e meio de emprego, durante um ano e três meses procurei emprego, desisti de Portugal e emigrei. Como emigrante, tive logo trabalho na minha área após 2 meses e com um bom salário.

    Claro que a minha vida estava em Portugal e sinto falta da familia e amigos. Mas da vida em Portugal? Nem pensar. Para mim Portugal é problemas e mais problemas. Só confusões e intrigas. Governado (Governo e empresas) por pessoas sem escrúpulos e sem respeito pelos outros. Caloteiros que se gabam das sua dívidas…. e enquanto estas pessoas estiverem no poder e os restantes se calarem e tiverem medo, não há nada a fazer. Falar e manifesto não chega. “Eles” (“governantes”) não querem saber, desde que não os afecte (continuam com a vaquinha leiteira e a vidinha habitual de luxo). Por favor, façam algo nem que seja sair do País, como eu fiz. Ficar apenas com as queixas, não altera nada.

    • Sónia Pereira diz:

      Olhe eu também já sai do país e voltei. Sair do país não resolve. Resolve ficar e lutar. Se todos saíssem deixava de existir Portugal… Temos que procurar alternativas e uma delas é criar o próprio emprego e sermos mais activos como cidadãos… Agora fugir não é solução. A vida lá fora também não é nada fácil, mesmo em países ditos desenvolvidos… As pessoas pensam que por ter um curso superior alguém tem que lhes dar trabalho e tem que obrigatoriamente trabalhar na sua àrea de formação e a ganhar bem. Não é assim… As pessoas tiram cursos, também para procurarem o seu próprio caminho e para terem ferramentas para serem mais empreendedores. e criarem alternativas. Empreendedorismo é o que falta em Portugal. Aqui, existe um grande problema de “umbiguismo” cada um olha só para o seu umbigo… E não pode ser assim.

      • Maria Guimarães diz:

        Sónia, eu tentei de tudo em Portugal. Incluindo trabalhar por conta própria. No meu caso, tenho um ex-marido do qual quero estar bem longe. Tens razão sobre que não é fácil noutro Pais, mas para mim estava quase impossível em Portugal. Quando chega ao ponto de sobrevivência, é complicado.

        Conheço um casal que ambos ficaram desempregados por falência da empresa. Têm mais de 50 anos e agora? Onde está o emprego para eles? Mesmo tendo poucas despesas, o fundo de desemprego ou biscates que arranjem não chega para cobrir as despesas. Isto é uma situação que aqui na Holanda não aconteceria a um holandês, porque o governo cobre as necessidades minimas. Claro que como emigrante, as regalias não serão bem as mesmas e depende dos anos que se trabalhou.

        Também posso dizer que conheci um casal novo licenciado que saltavam de empreguito para empreguito e comiam uma sopita ao jantar, porque o dinheiro nem chegava para a renda da casa, quanto mais para a comida. Passavam os fins de semana em casa, porque para onde sair sem gastar dinheiro?

        Não sei qual foi a tua situação, mas infelizmente em Portugal há já situações que sair do País é a única forma de sobreviver (e ter o que comer).

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  9. parem de chamar "geração à rasca" diz:

    Olá
    tenho 33 anos, uma licenciatura, um emprego estável e um salário razoável. Nunca estive sem emprego, mas comecei a trabalhar antes de ter terminado o curso. Fiz 3 estágios (todos pagos, acima dos 750€/mês), andei pelos recibos verdes durante 2 anos, fiz um contrato, depois outro, entrei no quadro, mudei de empresa, entrei no quadro, tive 4 profissões diferentes em 10 anos. Não tive cunhas, nem favores, pago os impostos, cumpro o código e trabalho muito. Trabalho muito. Dizem que fui da geração rasca, agora sou da geração à rasca, e eu simplesmente abomino uma e outra palavra.
    Os que antes eram vistos como geração rasca por se manifestarem, lutarem e refilarem, agora são da geração à rasca, por nada fazerem.
    Sinceramente acho que esta geração é uma geração egocêntrica, que pensa apenas no imediato, e esse é o grande problema. As causas desta geração são fabricadas, porque nos esvaziaram de pensamento. Temos comentadores que pensam por nós, um sistema económico que nos deixa reféns do salário dos 500€, “se não quiseres tenho 200 pessoas à porta para o teu lugar”, e uma vida confortável no momento presente.

    Fico contente que finalmente haja um movimento para abanar a sociedade para chamar a atenção para esta precariedade geral e para a apatia que se instalou. Esse é o principal problema. Mas é preciso que tenhamos em atenção uma coisa. A manifestação de amanhã não servirá de nada se for apenas um acontecimento, uma notícia. É importante que da manifestação saiam ideias e, mais do que isso, um plano de acção. Dar apenas opiniões de nada serve, encher os telejornal de notícias e de queixas também não.
    É importante que nos organizemos de alguma forma, que criemos núcleos locais e que esses núcleos, compostos por pessoas dinâmicas, empreendedoras e entusiastas tracem um plano de acção para que as coisas mudem. Por exemplo, o núcleo na freguesia denuncia o que não funciona, responsabiliza, cobra, dá alternativas. E faz isso sem ambições políticas. Faz isso pela urgência e pela necessidade da mudança. Não sei quem disse a frase, mas o pensamento tem de ser este: pensamento global e acção local. Temo que a manifestação de amanhã seja apenas uma manifestação do pensamento global. Se não houver acção, e que esta seja localmente, mas de forma concertada em todo o país as coisas não funcionam.
    Denunciar só, não basta. Queixar-nos só, não basta. É preciso fazer alguma coisa depois desta chamada de atenção. Caso isso não seja feito continuamos na mesma: “falam, falam, falam falam, mas não os vejo a fazer nada.” E depois somos acusados de mimados, de adolescentes tardios, de auto-vitimizados.

    Rejeito a imagem de geração à rasca. Somos um geração comodista, mas custa-nos admitir isso, porque isso coloca o foco naquilo que não fazemos, no que não dizemos. esse é o grande problema. E como conseguimos ir vivendo na nossa comodidade, assim é o nosso fado.

    • Samuel diz:

      Parabéns. Até que enfim, leio um comentário que reflecte o que julgo ser a realidade e não a ilusão verborreica disseminada, nos últimos dias, a propósito desta manifestação. Apenas terei algumas reservas em relação à compartimentação geracional. Faz-me impressão – e é uma das coisas mais irritantes do movimento agora em alta – a facilidade com que as pessoas se oferecem para fazer parte de uma “geração”. “A minha geração é isto….” ou “Sou da geração tal e tal…” Como se estivéssemos a falar de vinhos. Aquela colheita é melhor do que a outra. Uma visão altamente maniqueísta e determinista em relação à História e à evolução das dinâmicas sociais. De resto, concordo com o que disse.

  10. Ivo Miranda diz:

    Para todos os parasitas (políticos e associados):
    Tentem fazer uma conta uma vez na vida por favor! Vejam qual é a taxa de parasitas que podem ter por cada português e depois têm que cortar um pouco nos parasitas se não os vossos filhos parasitas não vão ter ninguém para roubar em Portugal.

    Exemplo:
    1 Parasita = 50 trabalhadores
    nº de trabalhadores = 50000
    Parasitas que podem ter sem revoluções = (1/50) * 50000 = 1000 parasitas

    Conclusão: Para cada 50 000 trabalhadores activos podem ter um 1000 parasitas.

    Dado que o nº de trabalhadores activos é facilmente determinável têm apenas que dedicar os vossos 4 anos de governo a pensar qual é a taxa de parasitagem que pretendem.

    Espero que tenham compreendido a minha explicação🙂

    Qualquer dúvida é só postar.

  11. Ivo Miranda diz:

    Lol
    Adoro ver gajos do PS cujo emprego é vir para aqui todo o dia tentar argumentar contra a vontade do povo de remover a classe política actual com argumentos do género: “vão mas é trabalhar que isto tá mau para todos e não se queixem” “é preciso é criar emprego e não reclamar” etc…

    Vão vocês trabalhar amigos. Vão vocês criar empresas em que o Estado é vosso sócio para o sucesso e insucesso. Que rouba desalmadamente e depois diz que é a crise que fez um buraco de 180 mil milhões de euros… Ops! Foram os chineses… os governantes até foram muito competentes… pelo menos a desviar dinheiro pá conta deles e a metê-las em offshores. Vá lá uma coisa que sabem fazer relativamente bem.

    No dia em que houver um Jorge Coelho para cada empresa então aí as empresas podem competir em pé de igualdade e o país pode ser produtivo.

    Enquanto o Estado só tiver a mentalidade de ROUBAR então é óbvio que não irá ser criada riqueza… eu já cometi o erro de ter criado uma empresa sem jorge coelho. Já paguei pelos meus pecados. Agora venha o próximo otario tentar fazê-lo que o Sócrates precisa muito🙂

    Resumindo… EU NÃO QUERO EMPREGO NEM NADA GARANTIDO PORQUE NÃO SOU UM PARASITA!
    OS PARASITAS ESTÃO NO GOVERNO A ROUBAR TUDO O QUE PODEM E DESSA FORMA É ÓBVIO QUE A RIQUEZA DO PAÍS NÃO PODE AUMENTAR.
    CRIAR EMELs E MIL EMPREGOS ASSOCIADOS A UMA PARASITAGEM INTERNA NÃO IRÁ CRIAR RIQUEZA!!!

    PENSEM ANTES DE VIR PARA AQUI FAZER PROPAGANDA PARASITAS!

  12. Jorge Soares Albergaria diz:

    De que serve ser a geração mais qualificada da história portuguesa se o país não precisa ou não tem capacidade para absorver estes jovens qualificados? Não terá sido inútil ter estado 5 anos numa universidade de vão de escada a tirar um curso inútil? Terá valido a pena que, para fugir à matemática, se tenha procurado tirar cursos mais fáceis sem qualquer futuro? Os jovens de hoje foram iludidos, penso que sobretudo pelos pais, que o importante era ter um canudo, independetemente de qual fosse o curso ou universidade. Terminei o curso de Gestão na Universidade Católica em 2001 e antes do final do curso já quase todos os alunos tinham emprego garantido. Aposto que actualmente os alunos das universidades de topo e com cursos a sério têm emprego garantido em Portugal ou no estrangeiro, porque estas universidades de topo ensinam a sério. Para mim, esta é uma geração que se pôs à rasca e que procurou apenas o que era mais cómodo e mais fácil na esperança que alguém depois viria para resolver o problema, não fosse este o pensamento mais comum dos portugueses. Quem venha atrás que feche a porta. Concordo com a manifestação desde que seja com o objectivo de garantir melhores condições de trabalho, que implicam sobretudo, à semelhança dos países do norte da europa, flexibilidade no mercado de trabalho que obviamente deverá implicar maior facilidade no despedimento e consequentemente maior facilidade na contratação. Só assim o mercado será eficiente e os melhores, mais competentes e qualificados terão hipóteses de ter um futuro. Jovens de hoje, tomem consciência que a ideia de ter um emprego das 09h às 18h00 e para a vida acabou! Se não tomarem consciência desta realidade apenas vão ficar desiludidos constantemente.
    Força, lutem pela flexibilização do mercado do trabalho e não se deixem levar pelo populismo da esquerda ortodoxa e da esquerda caviar que apenas quererá capitalizar o vosso protesto para angariar votos. O vosso futuro não interessa aos partidos de esquerda, pois eles dependem dos vossos votos para viver e sem vocês eles não são nada e por isso vão dizer tudo o que vocês querem ouvir.

    • anonimo diz:

      Hoje, a maioria dos recém-licenciados não tem emprego, sejam quais forem os cursos. E se há cursos no nosso país que não têm qualidade de ensino ou saída profissional a culpa é do governo pois as universidades são do estado. O nosso País não precisa só de médicos e engenheiros, essa mentalidade devia estar ultrapassada.

    • Ana Gomes diz:

      Pois é, no Norte da Europa não se trabalha das 9.00H ás 18.00H, é mesmo das 8.00H às 16.00H. Existe uma rede públicade apoio à infância, com creches e escolas de qualidade , com um rácio de um educador por cada 5 crianças e não um educador/professor por cada 25 como em Portugal. Não falemos sequer no apoi aos deficientes… é melhor não. E quanto aos empresários existe a Norte flexibilidade, mas existe consciência do papel social do empresário, que não existe em terras lusas. Cá decreta-se falência, returanm-se as máquinas da fábrica, paga-se o ordenado minimo (a bem da competitividade), troca-se de ferrari e compra-se um vison à mulher e um apartamento à amante

      • honni soit qui mal y pense diz:

        pois e eu que sou empresário e não tenho amante … a quem é que vou oferecer o vison , o minha senhora ,mmmm ?

      • Rui Costa diz:

        Gosto dessa forma de olhar para os empresários. Aliás, sou da opinião que se deve proibir e expulsar todo e qualquer empresário. Sobretudo os de sucesso. Pode ser que assim se comece, como nos países mais evoluídos, aos líderes da classe empresarial.

    • CP diz:

      Pois é caro Jorge, eu licencie-me pouco depois de si, 2002, e não me pûs “à rasca”, não me sentei à sombra da bananeira à espera que algo caísse do céu, nunca procurei “apenas o que era mais cómodo e mais fácil na esperança que alguém depois viria para resolver o problema”. Licenciei-me numa das melhores faculdades do país (pública) e com boas notas. Tirei um curso que não necessita de matemática, não para fugir à mesma, mas apenas porque não faz efectivamente parte do curriculum, como acontece na maioria dos cursos das ciências sociais. Se consegui emprego assim que saiu da universidade teve muita sorte, pois não é isso que acontece de forma geral nem era isso que acontecia na “nossa altura”. Refere no seu comentário que os jovens escolhem cursos mais fáceis para fugir à matemática … puro engano. Esse ponto em particular do seu comentário leva-me a concluir que o sr. acha que os com futuro, necessários e válidos são apenas aqueles que têm matemática no seu plano curricular, pois bem, não se esqueça disso quando precisar de um educar de infância para os seus filhos, de um advogado para tratar dos seus problemas, de um professor que ensine uma qualquer língua estrangeira aos seus filhos, quando precisar de um assistente social, quando precisar de alguém, formado, competente e capaz que, eh pá por azar tirou um cursito qualquer da treta que não tem matemática no plano de cursos. A sociedade não precisa só de economistas, gestores, engenheiros e afins. A vida não é só feita de €€ e tecnologias. Há muito que a vertente humana e social tem vindo a ser descurada e daqui a uns tempos, se verá o resultado… nem só de números é feita a vida …. pense nisso.

    • António Reis diz:

      Eu tirei um curso de engenharia e todos os meus colegas de curso, assim como eu, estão empregados. Mas quantos estão nos quadros das empresas onde trabalham? Nenhum. Quantos têm um ordenado acima dos mil euros? Nenhum.
      Eu pretendo constituir família e deixar de viver com os meus pais, mas trabalho para uma empresa que não me dá estabilidade a longo prazo e o meu poder de compra tem vindo a diminuir ao longo dos anos, não vejo grande alternativa senão continuar nesta vida estagnada. Os anos de experiência profissional naquela empresa ainda não serviram para decidirem se sou útil ou não à empresa? Se sim porque não me pagam um ordenado compatível com o meu valor? Se não valho nada, então porque adiam a minha saída com promessas? Não entendo. Vejo pessoas entrarem e saírem pouco tempo depois porque não se sujeitam à situação, provavelmente o meu mal é esse mesmo. Esperar que o meu valor seja reconhecido e adiar a mudança. Sou mesmo ingénuo. Três anos no mesmo sítio e ainda ganho o mesmo salário miserável desde que lá entrei. Os meus amigos que não tiraram um curso superior e trabalham em supermercados ou vendem mangueiras de plástico ganham quase o dobro de mim. Isto chega a ser hilariante…
      É contra situações destas que me revolto e que deixo o meu protesto!

    • Sílvia diz:

      Caro Jorge,

      de facto fala de “cursos a sério” como quem venera a matemática e os números. Fala como se houvessem cursos de brincar. Pois deixe-me dizer-lhe algo sobre isso:
      Não tenho matemática, não tenho geometria, não tenho cálculo e as únicas contas que faço são contas de como esticar dinheiro de forma mágica.

      Estou no último ano da minha licenciatura, falo,além do português, inglês, espanhol e italiano. A minha área de formação principal é o português e o espanhol. Entre o currículum do meu curso contam-se disciplinas como Culturas, Literaturas, Linguísticas… Estudei até, veja lá, Latim. Com um plano de estudos reforçado por disciplinas de continuação que chegam a ter 6 níveis estou habilitada a dar aulas de practicamente tudo o que estudei. Estou também habilitada a trabalhar como assessora ou gestora cultural.
      Eu não tenho matemáticas, mas quando o seu filho precisar de uma professora, de uma explicadora, vou ser eu que vou estar lá para o ensinar. Quando a sua empresa precisar de alguém que estabeleça relações com empresas estrangeiras, alguém que os ajude com traduções e dicas de como os conquistar, vou ser eu que vou estar lá. Quando um economista precisar de um discurso bem escrito e bem estruturado, vou ser eu que vou estar lá. Eu e tantos outros como eu, que “fugimos à matemática”.

      Cursos de brincar não existem. Se para si matemática é o vale tudo por ser uma disciplina existente, convido-o a estudar linguística e experimentar um exercício de transcrição fonética. De preferência de línguas regionais, como o mirandês ou o basco. É lindo!

      Sobre universidades de topo, a minha irmã terminou a licenciatura em Biotecnologia em 2009, estudou 4 anos na Católica e não foi isso que lhe garantiu emprego, porque até hoje nada. E conheço muita gente na mesma situação.

      Você conhece mais fórmulas de cálculo do que eu. E então? É por isso que pode ensinar espanhol? Não é.
      Jorge, o que é útil para uns não é para outros. O que é fulcral numa profissão não é noutra. Não é por estudar línguas que vou ser arquitecta. Mas também não é um arquitecto que vem ensinar línguas.

      Ainda que andemos todos (ou quase todos) à procura do mesmo, emprego, cada macaco no seu galho.

      • Rui Costa diz:

        Meu caro, só quem não conhece a realidade de muitas universidades portuguesas pode dizer que não existem curso de brincar. Ok, talvez tenha a sua razão. Mas existem muitos cursos que são uma brincadeira de crianças.

      • Sílvia diz:

        A meu ver não existem cursos que sejam “uma brincadeira de crianças”. Existem, sim, pessoas que transformam cursos em tal. Existem cursos mal organizados e cursos mais fáceis que outros.
        De qualquer forma, para quem opta por se empenhar nos estudos em vez de se empenhar na vida académica, por muito fácil que um curso seja, exige sempre esforço e seriedade.

    • lamina diz:

      Caro Yupizinho Jorge,

      E se fosses destilar a “merda” ,que te enfiaram na cabeça durante os anos que frequentaste a “Santa” universidade católica, para outro lado. A eficiência do mercado e os cursos a sério e patati e patatá, discurso salazarento e bafiento de quem não conhece nada da vida nem do mundo. Se tiveste a sorte de encontrar um emprego bem remunerado e que te oferece a possibilidade de teres uma carreira não faz de ti um iluminado que pode dissertar sobre a infelicidade dos outros com a leviandade com que o fazes neste forum. Olha que eu sei quem tu és . Tem cuidado com essa retórica le peniana que a paciência dos “falhados” tem limites.

      • Rui Costa diz:

        Aí está: cara lamina, acabou de dar a vitória à classe politica. O objectivo deles é dividir a sociedade. Assim, será bem mais fácil governar.

    • vashco diz:

      É incrivel que os fascistas achem que so se criam emprego despedindo outros.
      Isso nao é criar emprego ,é simplesmente camuflar numeros de desemprego com outros despedimentos e posteriormente reduçao de subsidios de desemprego,dado que pouco tempo de “casa” originam subsidios mais baixos em tempo e valor.

      • Rui Costa diz:

        Curiosamente, o fascismo português era bastante rígido em termos de leis laborais, à época.

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  14. Fátima Gavinho diz:

    Queridos amigos enrascados
    Começo por vos lembrar que o desenrascanso é uma característica específicamente portuguesa…por isso não se pré- ocupem…mas aconselho a que nos OCUPEMOS verdadeiramente.
    Temos à nossa frente uma oportunidade única, é preciso agir,…de forma precisa.
    Sou da geração de 70. Os tais…! hippies, revolução,drogas,etc. Não troquei a minha Liberdade por nenhum posto de F. Pública (que podia…mas abomino)…e agora…também estou à rasca, e pior! os meus filhos também…Espero que eles me perdoem, porque os eduquei para uma sociedade que “ainda” não existe…Mas na qual continuo a a-creditar, ou seja: na qual aposto.Pois os valores de Dignidade Humana não se deixam abalar por pretensas crises.
    Penso que realmente nos está a ser dada uma oportunidade de fazermos valer algo.O quê?
    Estamos à rasca.(no outro dia almoçei um café porque o dinheiro não chegava para uma sopa!… e pensei:então e os outros?É que eu nem sou dos que estão pior!…embora não tenha absolutamente nenhuma segurança,ainda me considero uma previligiada,tal como a maioria de voçês:”coleccionadores de licenciaturas e mestrados”(! :)), “meninos dos papás”(!…limito-me a transcrever o que li🙂 !).Mas…e os que não têm pão para dar aos filhos?E os velhotes sem dinheiro para os remédios?(como vi no outro dia na farmácia:”-8o€?dantes era de graça!..não levo.” E que se lixe a saúde!…
    Resumindo: como é que nos vamos desenrascar?
    Bonito seria um desenrascanço colectivo,género Re-Evolução!!!
    Seríamos capazes? Com tantas boas Licenciaturas! (eu não tenho!) Haverá alguém (de preferência um Grupo) que por ex. redija uma Nova Declaração dos Direitos Humanos? Em que desta vez o enfoque seja dado aos limites máximos?!…É que, no meu entender é isso que está a falhar.Se há limites para baixo (o que ninguém põe em causa,felizmente…(embora também estejam muito aquem…)) então e o outro lado? poder-se-há acumular bens assim sem limite?? De quem é afinal essa seiva que corre entre os seres humanos(das sociedades ditas civilizadas) permitindo a vida e à qual chamamos dinheiro? É um bem vital! Como é que podemos aceitar que se fechem as torneiras a montante? a jusante o pessoal fica sem pinga!!…então? morre?…ou o instinto é mais forte e aí…não vai servir de nada o que se arrecadou.
    Queridos jovens, aproveitem a força da vida.Encham-se de Entusiasmo e Ajam (bem-ajam).
    Já agora, e para terminar,a coisa mais importante…
    Os três Princípios da Revolução Francesa: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE continuam à espera de ser activados…mas de forma correcta:(porque tem andado tudo ao contrário!)
    LIBERDADE na Cultura e Religião (e não na Economia …!)
    IGUALDADE na Justiça (e não na Cultura…!)
    FRATERNIDADE na Economia (e não na…Justiça!)
    …………….
    M.F.

  15. Peter Vieira diz:

    Só falta dizer directamente que a culpa da situação de crise que vive o nosso país é daqueles que tem entre 18 e 36 anos!!! A geração dos nossos pais tem que assumir responsabilidades. Os que fazem carreira na política, na saúde, no ensino,… na cultura e na justiça puseram Portugal neste estado e, ainda bem, que houve uma crise MUNDIAL para fazer eco do Portugal que efectivamente temos. Por isso os senhores que nos governam e assumiram os destino do país desde 74 tenham vergonha e dêem lugar a outros. Vai uma aposta que a nossa GERAÇÃO (À) RASCA govenava e liderava o nosso Portugal melhor do que aqueles que lá estão??? Não tenho dúvidas…

    • A Torroal diz:

      Sendo assim, por que não começar pela prática cívica, pelo voluntariado, para ganhar experiência? Por que não participar politicamente nas jotas… para ganhar sabedoria, e depois avançar para a arte de governar a res publica? Meus caros, as construções iniciam-se pelas fundações, não pelo telhado. Em Fevereiro de 1974 conheci um homem que dizia: «não se pode ser general antes de, primeiro, ser capitão. Força juventude.

    • Mary. diz:

      a culpa não! mas a pagar a factura dos erros dos outros sim!
      e não gosto nada de estar nesta “geração”
      trabalhei, estudei, paguei o meu próprio curso
      e trabalhei, e trabalhei e trabalhei
      e hoje continuo a não ter estabilidade profisional
      as empresas “faliram” uma a seguir a outra.
      12 anos de vida desperdiçados,
      eles, os das empresas falidas, já têm outras, ao abrigo da lei🙂
      eu e outros empregados ficamos sem apoio e inclusive sem indemnizações a ter que recomeçar a vida uma vez e outra vez
      geração à rasca? pois sim! com certeza!
      mais não por falta de iniciativa, qualificação ou competência,
      pela permissividade da normativa e impunidade com que o patronato pode agir quando invoca falência, mesmo esta sendo fraudulenta
      é preciso fiscalizar, é tarefa do estado!

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  18. Anónimo diz:

    Concordo com muita coisa que se tem dito aqui,mas o mais importante é as pessoas se unirem e lutar pelos seus direitos,é pena que desde o 25 de Abril tenhamos sempre os mesmos governantes ou seja o PS/PSD.
    Acho que devemos seguir exemplos como a Grécia que o povo luta nas ruas e junta 100 mil pessoas por melhores condições de vida.
    Gostava muito de poder juntar esse milhão que se aspira para as Manif de 12Março,mas a luta não passa só por sairmos á rua nesse dia,a luta é feita todos os dias,e termos objectivos concretos de mudança,e essa mudança passa por dizermos não a estas politicas de direita do PS/PSD que dia a dia lança para a miséria,desemprego,precaridade,milhares de pessoas.
    E levarmos a esta manifestação milhares de bandeiras pretas e mostrar o cartão vermelho ao Sócrates/Passos Coelho

    É LUTAR CONTRA A ENTRDA DO FMI
    É DIZER NÃO À NATO
    NÃO AO DESEMPREGO
    NÃO À PRECARIDADE
    PELO TRABALHO
    PELO ENSINO
    POR UMA POLITICA DE SAUDE PARA O POVO

    • A Torroal diz:

      Meu caro anónimo, esta manif. só terá sucesso se não for partidarizada, mas se o for com o senhor/a está a fazer estrá condenada ao esquecimento. Se quer correr com o PS e o PSD do arco do governo, faça-o… democratimente. Conhece outra forma legítima. Na próximas eleições, que não devem tardar, convença toda a gente que as suas proposta são as melhores, e se assim o fizer o povo aprovarás as sua ideias. Quais são?

    • Rui Costa diz:

      Caro anónimo,

      Pretende impedir a entrada do FMI. Como pensa pagar a dívida portuguesa?
      “Não ao desemprego”. Pretende proibir o desemprego e tornar o emprego obrigatório?

  19. Victor Gonçalves diz:

    Estou moderadamente com vocês, pelo menos não se juntaram servilmente a nenhum partido da esquerda utópica.
    Há, no entanto, muitas aporias na vossa visão do mundo, a começar pela ideia que são a “geração mais qualificada”. Bom, são a geração mais escolarizada, mas isso de pouco serve porque o mesmo aconteceu em todo o mundo, Norte de África incluído. O importante será no futuro, também no vosso, o tipo de qualificações que conseguirem adquirir (formais e informais). Há pouco vi os vossos líderes, todos formados em Relações Internacionais. Bom, para que serve isso? Será que não houve alguma precipitação na escolha da área?

    • Anonymouse diz:

      Caro Vitor Gonçalves,

      Posso depreender que, pelas suas palavras, a escola deva ser atirada à fava pois não qualifica. Talvez seja apenas uma brincadeira e que todos devam andar por lá a passear.
      Segundo, escolarize-me lá o seguinte: o que é o conceito de “escola”? e o que é o conceito de “qualificado”.
      Terceiro, não foi o movimento, ao qual não sou afiliado nem pertenço nem opinei sequer, foram os meios de comunicação com gente que se acha “escolarizada” e talvez, na sua mente, “qualificada” também.

      Quarto e por último: faça-me um favor, e qualifique-se… pelo menos em etimologia. Não sabe o que é? Provavelmente o melhor é fazer uma pesquiza no google e escolarizar-se…. ou “autodidactar-se” lol… ou o que achar que corresponde ao conceito de obter conhecimentos e, mais importante, interiorizá-los na sua consciência do mundo. É uma pena… ainda se achar que quem tem quarta classe e 50 anos de trabalho sabe mais que alguém que leu tudo o que conseguiu ler sobre determinado assunto em 10 anos de vida. Tenho pena que pense dessa forma, mas, talvez seja eu que já li demasiado na minha vida… olhe… como dizia Agostinho da Silva: “deixar andar Portugal! com a mesma confiança que a máquina fará o trabalho por nós” é o que é!

      Um abraço!
      Anonymouse: sempre a semear a Seara :]

      • Miguel diz:

        Sem querer ferir susceptibilidades, penso que a escola pouco ensina às pessoas. De que vale ser marrão e ter boas notas se não sabe comunicar ou transmitir uma ideia decentemente? Andei 5 anos a estudar e de pouco valeu. Aprendi a ter uns conceitos sobre vários temas, a sair à noite, a beber umas cervejas, etc.
        Estou empregado na minha área (Engenharia Informática) e posso-vos dizer que aprendi mais num ano do que nos 5 de universidade. Penso que o nosso ensino está esgotado. Não quero tirar qualquer valor a quem andou estudar porque também sei o que sofremos, ainda por cima se o orçamento dos pais é curto. Sinto-me triste quando vejo malta licenciada que nem sabe fazer uma conta de dividir. Tudo se deve às politicas erradas dos nossos governos. Nunca votei, nem irei votar até que os votos em branco tenham um significado real. De que vale ir votar em branco se estes só contam para estatística. Ainda este ano o Cavaco foi eleito com maioria absoluta apenas por 23% da população. Mas que raio de país é este que deixa isto acontecer? Não deveriam os votos em branco permitir uma rotura com o actual sistema? Só se interessam pelo povo quando precisam deles. De resto olham para o povo como sendo um rebanho de ovelhas.
        Espero que amanhã seja o início do virar de uma nova página na vida de Portugal.

      • bernardo moniz diz:

        Opah é exactamente por comentários como o teu que este país não anda para a frente… o que interessa é uma picardia para se fazer ouvir mais alto. É tão reles isso.

        Concordo com o Vitor, somos a geração mais escolarizada, mas isso aconteceu a nível mundial! Não somos especiais, e temos que ver bem a diferença entre escolarização e qualificação. A maioria da minha geração nem sabe o que foi fazer pa universidades, fomos porque era a norma.

        Sim, diga-me lá o que é a escola, a não ser mais uma ferramenta deste regime maçonico??

        Tenho 23 anos e a única coisa que o sistema nacional de educação tentou fazer foi ensinar-me coisas completamente irrelevantes como a extrema importância da União Europeia, e as epopeias portuguesas nos descobrimentos. SOMOS ENSINADOS A SER BURROS, PORQUE BURRO NÃO RECLAMA: TRABALHA E VAI ÀS COMPRAS. DÁ PODER AO CAPITALISMO.

        É este o grande problema, é a estupidificação da sociedade, é quando as pessoas andam à nora sem ter objectivos e a imitar o que os outros fazem. Licenciaturas?? e o ensino superior não é uma farsa?? Por favor.

        Sou um autodidacta, procuro a minha informação e crio a minha opinião. Acredito num futuro por contribuição e isso baseia-se em experiências que tive, em livros que li, em viagens que fiz pelo mundo e pelo cérebro. Pouco interessa se tenho licenciatura… a questão a aqui é interpretação dos factos, é conseguir construir um argumento, conseguir contribuir com uma solução ou uma ideia… não nos podemos limitar a dizer somos a geração mais qualificada e gritar “queremos trabalho”…

        EU QUERO CONTRIBUIR PARA MUDANÇA ESTRUTURAL.

      • Anonymouse diz:

        Bem… meu caro (o da picardia):

        De facto, não foi meu interesse afirmar-me a ninguém, e de certo existe alguém pelo mundo que domine mais qualquer coisa de uma qualquer área que eu. Mas essa é a grande questão: é que, apesar de saber que na minha Universidade e no meu Curso a fasquia era baixa – e digo-o pois sei bem que numa área do conhecimento humano de milhões, pagar a um profissional milhares é algo que não está ao alcance dos cofres do Estado Português [mas o que é que está ao alcance do Estado afinal???]. Mas… picardias à parte, para mim o Conhecimento é o maior garante de dignidade pessoal… aqui vai:

        Aprender a ler, a selecionar conhecimento e a estruturar um pensamento autónomo é a pedra basilar para cada ser humano CIDADÃO. Para que tal aconteça, é necessário que as necessidades básicas estejam saciadas. Isso aconteceu em Portugal durante algumas décadas (felizmente aproveitei esse momento e fui criança em fartura face ao resto do mundo e dos biliões de seres humanos que ninguém se lembra). Não mais acontece nos dias de hoje, e temo, apesar de não ser pessimista, ouviu-se hoje o 4º PEC, temo que venha a acontecer o 5º… o 7º… o 8º….. mas isso deve-se a certas situações que… adivinhe-se… dei enquanto conceitos genéricos na Universidade. Claro está, ninguém me explicou como funcionam os títulos de dívida e as suas compras pelos bancos centrais… ninguém me explicou a história do sistema bancário… ninguém me explicou as tecnologias de ponta na minha área de trabalho na Universidade…

        Pois para além da Universidade, existem BIBLIOTECAS (pois é… mas quem frequenta isso é gozado… que pena…) existem LIVROS, FILMES, DOCUMENTÁRIOS (quantas pessoas gostam de ver documentários e se informar?) existe acesso a LEIS (eu já li algumas porções de códigos … e normalmente, apesar do advogado aconselhar, gosto de ler e informar-me…
        Para além da Universidade existe um mundo de conhecimento que poucos em Portugal apreciam e consomem.
        Existe a necessidade de ter carpinteiros, electricistas, “trolhas”, pedreiros? Sim… mas porque motivo haveriam estes de ser incultos? Porque não podem eles saber economia?
        Aos olhos de um agricultor, economia costumava ser simples. E por vezes, na mais complexa das teorias, a simplicidade é a melhor forma de a explicar.
        Porque há-de um pedreiro ser pedreiro o resto da vida? Não pode aprender? Não podem se instruir? Poupem-me… Universidades devem ensinar e não educar! Farto estou eu da papinha toda feita. Cultivem-se! Mas que Universidades não ensinam? Essa aí é-me completamente incompreensível.
        tenho dito…por um futuro melhor e uma discução construtiva!

      • madalena carvalho diz:

        Tanta arrogancia! Deve ter lido Agostinho da Silva ( que citou) de relance, pois nada parece ter aprendido com os seus ensinamentos! Esqueceu-se de refletir??

    • A Torroal diz:

      Não! Então o que vão lá fazer o BE, o PCP e os inexistentes VERDES?

      • Fred diz:

        Pois quem não irá de certeza, serão os administradores da Banca, Galp, PT, EP, etc; pois esses estarão nas suas brutas casas ou em restaurante de luxo a almoçar a assistir de cadeirão e a fazer pouco do povinho

      • Rui Costa diz:

        Ou a trabalhar Fred, quem sabe a loucura que vai naquelas malévolas cabeças!

  20. Mais um diz:

    Gostava de fazer uma pequena chamada de atenção:

    Em primeiro lugar devo dizer que apoio esta manifestação pois revejo-me neste tipo de situações e porque acho que a sociedade Portuguesa merece um acréscimo democrático, de participação activa.

    Pelo que me informei dos organizadores do evento, parece-me que são capazes de estar cientes das consequências do que têm em mãos.

    Por isso apelo a que começem a organizar bem as coisas para não permitir que uma manifestação pacífica, civilizada e que pretende levantar questões perfeitamente legítimas seja sequestrada por quem não partilhe dos mesmos valores de civismo, pacifismo, etc..
    Penso que pode ser um risco real e de todo indesejado.

    Segundo, acho que dever-se-ia aproveitar o “momentum” para produzir algo mais do que uma simples manifestação. Com isto quero dizer que se podia aproveitar para idealizar alternativas, propostas concretas para apresentarmos à AR, etc.
    Sei que não é de todo fácil, mas penso que produzir algo sério e que permita uma evolução será mais proveitoso do que simplesmente ser-se notícia ao fim do dia.
    O presente manifesto captou a atenção, mas sejamos sinceros, é muito pobre para ir além daí.

    Faço votos de que corra tudo bem!🙂

  21. Concordo com os pontos de vista acima mencionados e assinalo algo que foi mencionado pelo Nuno: o facto de nos quererem passar por incompetentes. Insurgem-se contra os jovens deste país assinalando o facto de que nos pagaram as propinas e que não queremos trabalhar, quando nós somos a geração com mais qualificações que Portugal conheceu e que teremos, sem dúvida, uma melhor capacidade de trabalho que a geração anterior. Insurgem-se contra nós porque lhes estamos a exigir direitos!
    E sim temos o direito a não ser tratados como mercadoria. Insurgem-se contra nós porque sabem que temos razão!
    Isto tem que mudar!

  22. Maria Paula diz:

    Eu já pertenço à geração mais “velhota” e, como tal, vou ter os filhotes cá pelo ninho, até aos 100 anos.
    O meu conselho: não se conformem, votem de modo a pôr estes “s …….” fora do poder e escolham quem trave o grande capital de continuar a fazer dos trabalhadores, pedintes e escravos !!!
    Todos unidos teremos mais força !!!!!!

  23. Façam Um favor a vocês MESMOS diz:

    Comprem ou vão pela porta dos fundos até a um simples livro:

    Micromotives and Macromotives , Thomas C. Schelling

    Aí se explica tudo, como são as causas das doenças, os sintomas, epifenómenos, etc

    Até de segregação e arrebanhamento fala!!!

    Parabéns ao comentador Nuno.

    Não há PIB e défices que resistam. Nem taxa de juros que nos salvem, ao menos para receber dinheiro, claro está com N vezes a procura a suplantar a oferta, A CADA VEZ UMA TAXA MAIOR!!!

  24. Empresário em nome individual - 28 anos diz:

    Conheço uma pessoa que explicou a um estrangeiro (da Europa Central) o que é recibos verdes… ele indagou essa pessoa com esta questão: “Mas como é possível viver assim?”

    A crise…. é mesmo de valores, sendo que o maior é o da dignidade Humana! Se os meus pares não empreendem, não são remunerados, então as empresas jovens nunca atingirão a ascenção tão necessária. Os pares defendem-se… e quanto à ignorância desta geração (será?): é reflexo de um sistema que assim o deseja. Não queiram que as pessoas normais saibam o que é Economia, títulos de obrigação soberana, taxas de desconto do banco central, oferta de dinheiro na economia… M1… que Engenheiros e Arquitectos entrem nos gabinetes dos Ministros para “restringir” o acesso à área.
    Todos aqueles que sabem como funciona o sistema, sabem como lhe dar a volta, e os outros, acham isso de loucos. A verdade é que são os deputados que mexem nas leis da nossa nação (e que agora a União direcciona). Eles fazem-no com interesses (em teoria) democráticos. Na prática (o que se vê é que) o grande interesse democrático é vendido às corporações (e grupos de interesse com influência) em troca de futuro e lugares rentáveis. Veja-se como estão ligadas as esferas do BPN com o nosso reeleito Presidente.

    Os jovens não sabem, não querem ver, não aprendem. São produto de uma sociedade que apenas quer se safar. Se eu deixar a coisa como está e tentar entrar, posso fazer o mesmo e defendo-me a mim e aos meus pares.

    Enquanto os jovens não aprenderem a criar pressão (em democracia) para alterar o estado de coisas, dificilmente isto muda.

    Sou empresário em nome individual, porque nunca encontrei um trabalho decentemente remunerado. Quando não trabalho, continuo a estudar. Sei que com esforço serei extraordinário, e por isso luto! Tenha capital ou não, o que interessa é ter conhecimento. Mas infelizmente não vejo nos jovens a capacidade de empreender e construir, criar dimensão para conseguir defender os seus próprios interesses… acham mesmo que serão os meios de comunicação? Até do ponto de vista economicista poderíamos compreender a música dos Deolinda. Eu nunca joguei PES, por opção! Eu deixei de ir à queima – por ser completamente supérfluo (já tinha visto aquelas bandas nos anos anteriores). Eu não bebo, não fumo, não me drogo. Mas também não faço directas! Querem trabalho para ontem? Paguem a dobrar ou triplicar que eu contracto alguém. Não sou escravo. Sou um ser humano igual a todos os outros. Talvez tenha lido demasiado filosofia ou sociologia… temos pena.
    À anos que me questiono como podem as pessoas sequer conceber que o trabalho -qualquer que este seja- não necessita de compensação monetária. Para mim, não pagar por um trabalho, é o mesmo que assaltar-me a casa e roubar-me o portátil. É o mesmo que me colocarem uma navalha ao pescoço e roubarem-me o tlm e a carteira. É UM ROUBO! E a proporção quase bíblica que este país deixou chegar, é meramente a etiquetagem de uma geração inteira, diria até de um país, de CRIMINOSO.

    Infelizmente, para esse país, este facto prejudica-o ao invés do que esse país acredita. Quando trabalho, sonho em ter clientes estrangeiros. E poucos são os clientes que merecem o meu trabalho de forma incondicional. A percentagem de novos clientes que não pagam a tempo é absolutamente desesperante – ao ponto de desconfiar de quem nos entra porta dentro. Mas sim, é verdade, isto é transversal a todas as áreas e estratos: faça-se lei! Ou têm medo?

    Quantos de nós somos empresários em nome individual? Quantos de nós nem sequer abrimos actividade? Quantos de nós somos estatística correcta? Meses passam sem eu ter fonte de rendimento, e ainda assim, eu pago a contribuição mínima da Segurança Social… Eu habito um país ignorante, ridículo! que nem uma estatística sabe refutar e criticar. Eu vi a SIC hoje: os jovens têm de trabalhar mais que os pais… infelizmente, porque os pais não souberam trabalhar e receberam a fingir que sabiam….

    Quantos de nós olhamos para os funcionários públicos a preencher a nossa ficha num qualquer serviço à procura das letras no teclado? Quantos de nós já não vimos o funcionário a tentar encontrar um trabalho na base de dados do Centro de Emprego, e demorar meia hora a fazê-lo, sendo que se eu pesquisasse em casa, demoraria 5 minutos da minha vida? Faça-se reestruturações em TODAS as áreas dos sectores públicos, quem não tem competências: SAIA! Venha a nova geração, em prol da produtividade!
    Não ouçam canais como a SIC dizer o que lhes interessa pois eles também gostam do estágio! Quem não gosta? O estagiário!

    Certo dia um professor universitário disse-me “Mas vocês não sabem nada, até deviam pagar às empresas por estorvar!” Apenas disse que continuava a não compreender, mas no fundo, pensei que aquela pessoa que estava à minha frente não era um ser humano, era um comerciante de escravos.

  25. Nuno Ribeiro diz:

    Eu li os comentários. Li este manifesto para tentar compreender o que vai no espírito do movimento, e como imaginam a sociedade idílica. É que entre o desejável e a realidade existe um vector definido pela distância entre o ponto de partida e o porto de chegada. Este vector consiste em soluções e hipóteses (políticas ou sociais – pois política é apenas a liderança para a resolução dos problemas em sociedade) que devem ser debatidas e analisadas tendo em vista um futuro melhor. Não, não acredito em referendos com um povo tão inculto. Imagino que referendar a seguinte medida “120 dias para pagamento de dívidas, caso contrário será constituído crime de roubo à sociedade pelo ministério público e automaticamente preso até que a situação se regularize” iria ser votado com um redondo NÃO pelas nossas gerações “estrategicamente” acima na ordem económica, sendo estas gerações pela sua própria natureza cívica e educacional detentoras de um entendimento colectivo prejudicial e nefasto para o bom funcionamento da economia.
    Ora vejamos:

    A economia cresceu aproximadamente mais que 1% do PIB. O Estado endividou-se mais 7 000 milhões de € lá fora. 1% do PIB é inferior aos 7 000 milhões. Este conhecimento, o de que o Governo mascarou o crescimento da Economia em 2010 com o endividamento futuro (a 10 anos) do país é algo que os meus pais não compreendem, como também muitos Senhores Industriais e tidos Empreendedores também não.
    A verdade é que o crescimento económico desde 2000 tem sido alavancado pela dívida pública que de aproximadamente metade do PIB passou para quase 90%. É este estado de endividamento que tem perturbado o normal funcionamento social do país.

    É por este tipo de realidades que o nosso acesso ao mercado está a ser barrado. Quanto menos nós crescermos enquanto pessoas e indivíduos sociais, mais tempo irá permanecer na sociedade o presente modelo de politico profissional (quando na verdade deveriam ser líderes sociais quem obtivesse uma boa posição social e não um qualquer corrupto que escalou pela escada das «jotas» que não são mais que escolas de maus hábitos).

    Chamo ignorante à sociedade anterior, a que detém a ordem económica do nosso país, pois eles não compreendem como os jovens são uma mais valia para a criação de riqueza. Não será a velha geração de Abril a comprar mais casas, logo, esta geração não irá criar muito mais riqueza no futuro. Daí, os nossos crescimentos amorfos em variação de PIB. Por exemplo, um construtor civil constrói casas para que público alvo, para que geração? Se o jovem é explorado, não possui capital para comprar uma casa, levando à falência de um sem número de processos económicos na sociedade. Se este construtor civil não pagar à minha empresa para criar uma publicidade atractiva, se a minha empresa, ainda que receba parte e não o todo como é comum (talvez porque até o jovem empresário é apenas um jovem que não compreende nada disto), levando a minha empresa a necessitar de estagiários não remunerados pois é insuportável permanecer economicamente activo nestas condições, fará com que eu e os meus empregados ou colaboradores não tenham capital para serem agentes economicamente activos. Não irão jantar fora, não comprarão carros, não irão ao cinema, ao teatro, etc… Não irão contratar um arquitecto para fazer a sua casa. Este arquitecto não irá contactar o construtor civil e toda uma engrenagem económica é suspensa. Se os jovens (20-35 anos) forem 1 milhão de população activa, se todos eles se tornam agentes inactivos, então o País perde aproximadamente 1/5 do potencial para gerar riqueza. E digo-o assim, pois mesmo nesta situação, 1/5 responde apenas por unidades percentuais no PIB e não pela sua quota parte equitativamente aceite como justa – 20% do PIB. A verdade é que à medida que os recursos se tornam escassos, fruto da nossa entrada na União Europeia e das avassaladoras correntes de financiamento comunitário, a geração que delas lucrou não pretende perder o seu lugar. Esta é a geração das mega empresas de construção de Auto-Estradas e Barragens, por exemplo. Esta é a geração que não compreendeu que o choque petrolífero dos anos 80, o mesmo que obrigou Portugal a pedir ajuda ao FMI, poderia vir a ser apenas um pronúncio do futuro, construindo inúmeras auto-estradas e estruturando Portugal para ser um país completamente dependente de um dos poucos recursos que não possui.
    Esta é a geração que preferiu construir klms de auto-estrada a requalificar o parque ferroviário. Preferiu camiões e maquinaria a cérebros e universidades. Sim, eles podem afirmar que “existem licenciados a mais”, mas até o caso Português, licenciados per capita era um sinal de força e riqueza. Vivemos numa cultura que doutrina que a prática é que vale, em deterimento da teoria, quando nem sequer estudam que foi a teoria que nos fez chegar à vela triangular das Naus, e que nos catapultou para os 30 anos do Império mais rico e influente que o planeta conhecera até então.

    Este fenómeno (ou doutrina) é a meu ver o grande buraco da economia em Portugal. O não pagamento do aparelho produtor ao aparelho apropriador (ainda que apenas num estrato da população) provoca a incapacidade de apropriação do aparelho apropriador ao aparelho produtor. A este fenómeno pode-se atribuir o nome de “deficiência e falha económica” nos bons costumes sociais, cujas raízes aparecem no seio dos valores da sociedade. A empresa é a estrutura garante das famílias que nela trabalham. Neste panorama, ela deixa de o ser, e expõe-se à nua e crua realidade da existência de pessoas a laborar que não podem ser agentes de mercado como deveriam ser. A esta concepção económica, posso acrescentar o facto de o trabalho não remunerado funcionar como subsídio para empresas e áreas que necessitam de reestruturação económica e que não o fazem porque simplesmente possuem capacidade de laborar (por não terem gastos com pessoal qualificado).

    As soluções:

    Criar lei que proíba de forma imparcial e imperativa o trabalho sem contrapartidas monetárias.

    Criar tabelas legais de valores de mercado para profissões específicas ou até de todas, à semelhança de países da Europa central.

    Criminalizar de forma inequívoca e como roubo do mais severo grau a exploração de trabalho sem contrapartidas monetárias (dentro do acordado pelas tabelas do ponto anterior).

    Criminalizar de forma inequívoca e severa o não pagamento, até ao dia acordado entre as partes, de facturas de negócios e acordos comerciais. O prazo deveria ser legislado para garantir a uniformização territorial dos procedimentos e legislação comercial, e o não pagamento por parte de um cliente deveria ser criminalizado obrigando o ministério público a accionar um processo crime que deveria colocar o devedor em prisão assim que inequivocamente comprovada a veracidade da factura emitida pelo credor. Idealmente, deveria ser criado um sistema de administração fiscal em todo o território Português, no qual a emissão de uma factura seria automaticamente enviada à administração central. Se ao momento do limite do prazo de pagamento não existisse inicio do procedimento de pagamento dos impostos devidos pela transacção comercial, a administração deveria iniciar de forma célere um processo crime contra o não pagamento fiscal, que analisasse se a culpa era do devedor. Caso tal se provasse, seria de imediato colocado em prisão efectiva e aguardaria o julgamento/sessão em prisão. Uma vez em prisão, a pessoa deveria eventualmente proceder a uma actividade económica que garantisse o pagamento da sua dívida para com a sociedade e as suas vítimas – carpintaria, agricultura, etc…

    Criar legislação que estipule períodos de tempo de “facilidade” fiscal e de acesso ao crédito a jovens tanto trabalhadores por conta de outro como independentes e empreendedores. Estes benefícios seriam tanto prolongados quanto a sua facilidade de integração no mercado. Caso se compreenda que estes se encontram já com volumes de negócio consideráveis e determinados por lei, deveriam comportar-se como agentes económicos equitativos com os restantes. – Por definição, não é um jovem com poucos rendimentos que cria PIB em Portugal, assim, também não será este valor que irá criar desajustes económicos nas contas do Estado. É do senso comum que para cada 5 jovens com facilidades de acesso, 1 irá pagar fiscalmente as despesas do governo dos restantes. Até porque é mais provável que seja este jovem o empreendedor capaz de inovar o suficiente para exportar e internacionalizar uma futura empresa Portuguesa credível e assente em bases de conhecimento efectivamente capazes de garantir a sua expansão e sustentação comercial.

    Estas são apenas algumas soluções que imagino possíveis, claro está, que também merecem uma reflexão e diálogo construtivo. Algo a que a nossa geração nunca lhe foi permitido, talvez até por nos verem como incompetentes e que até deveríamos pagar para estar a aprender numa empresa – empresa esta que na sua maioria é completamente incompetente e incapaz de gerar riqueza.
    Algumas destas ideias são hipóteses que tentam ajudar a edificar a tal sociedade idílica onde as gerações se abraçam mutuamente e se interajudam… para um futuro sustentável – um passar o testemunho entre gerações, e um edificar para a próxima! Vamos todos ajudar a próxima geração que aí vem a estar mais bem preparada para os desafios do futuro!

    É dever de qualquer sociedade ser altruísta e ajudar-se a si própria na construção de um nível de evolução superior para que os nossos filhos sejam mais ricos (não só no paradigma monetário) que nós e os nossos pais e avós. Se não o fizermos, os nossos filhos serão mais incultos ainda que as gerações de Salazar, e a evolução de Portugal enquanto sociedade desenvolvida estará ameaçada em décadas.

    Nuno Ribeiro

    • Ana de Castro diz:

      Nuno, li atentamente o comentário que publicaste. Não podia estar mais de acordo. O meu contributo ao diálogo que tentaste estabelecer aqui é o de reforçar a ideia de crise de mentalidade que atravessamos. Escrevi crise, mas pode chamar-se muitas outras coisas. As palavras aqui não se podem escolher muito, porque cada um tem o seu conceito. Não é isso que interessa. Também lhe podemos chamar de crise moral, etc.,etc.

      Como estudante e como futura desempregada apercebi-me, aos poucos, que as gerações anteriores fazem exactamente aquilo que referes. Protegem os seus empregos e asseguram o seu salário ao fim do mês. Enquanto isso não pensam nos filhos que têm em casa que serão o futuro do país. Criamos uma sociedade em que é possível que quase todos os jovens, independentemente do seu “estatuto” económico, podem estudar e obter formação superior, mas, no fim, verificamos que apenas aqueles que têm capital para investir em mais formação ou, ainda pior, aqueles que têm cunhas, são os únicos a obter usufruto dos anos dispendidos a tirar formação superior. Assistimos à debandada de colegas à procura de estágios ou empregos no estrangeiro porque a sua área profissional não é reconhecida ou a “crise” não permite criar postos de emprego: “Têm de haver cortes.” – dizem eles. Esquecem-se que são os jovens que trazem vitalidade, ideias novas e sangue fresquíssimo a correr nas veias, enquanto os profissionais que se encontram há anos nos seus postos de trabalho se acomodaram ao rico salário que recebem no fim do mês.

      Somos filhos da geração que não precisava de ir para a faculdade para fazer carreira tanto no sector público, como no privado. Somos filhos da geração que, hoje em dia, nos corta as penas quando queremos trabalhar e ser remunerados e que arranjam estratagemas para cortar o acesso de trabalho a recém licenciados. Não dou exemplos, porque quem é da minha geração sabe do que falo. Não somos a geração perfeita, mas também nada o é. Somos uma geração desinteressada, por vezes inculta, não devido a falta de conhecimento, mas antes devido à falta de reacção, de crítica, de interesse. Assistimos calados ao decepar do nosso futuro, das nossas oportunidades, porque preferimos não nos inquietar. “Esquece isso. Vamos ver um videoclip na mtv ou jogar pes na playstation. Vamos ao cineminha que a yorn oferece de graça.” – dizemos nós para desculpar. Somos uma geração que não se identifica com os governantes e que por isso perdeu todo o interesse pela política e pelas conquistas sociais. Experimentem ir às associações estudantes das instituições do ensino superior. A maior parte delas servem para organizar festas e nem motivação têm para melhorar os próprios serviços de modo a darem melhores condições aos estudantes. “Deixa lá. Amanhã apanhamos uma bebedeira e esquecemos já isto tudo!” – dizemos nós. Somos a geração que vai morar na casa dos pais até não sei quanto tempo, que não tem carro e muitos nem sequer têm carta! Pois é, não há dinheiro. Somos uma geração que, por um lado, tem demasiada formação para certos trabalhos e, por outro, pouca experiência para poder desempenhar capacidades para as quais estudamos anos. Somos a geração que vai tirando o mestrado, o doutoramento e muda de área para voltar a tirar outro mestrado e quem sabe outro doutoramento na tentativa de enganar a fome que temos para trabalhar naquilo para o qual estamos vocacionados e para o qual andamos anos a estudar.

      • Nuno Ribeiro diz:

        Não podemos deixar que a irresponsabilidade de alguns seja a desculpa de quem se aproveita de todos.

        Que eu saiba, a taxa de alcoolemia é superior entre as gerações mais velhas que nas novas. Que eu saiba, também estes governos possuem estratégias de educação pública desadequadas e arcaicas. Os acompanhamentos psicológicos são amorfos e improdutivos nos sistemas de educação.

        Onde, no mundo civilizado, é que já se viu, acreditar que a língua mãe e a matemática é o mais importante na construção de um individuo na sua sociedade?

        Para quem não sabe, nos países civilizados e tidos avançados, existem cadeiras como culinária, economia doméstica, civismo, carpintaria, costura, música, artes como pintura, fotografia, etc… Temos que criar seres humanos capazes de cozer um botão, de cozinhar a sua própria comida, serem cívicos e compreensivos. Temos que ter valores e saber viver em sociedade. Temos que criar urbanismo nas nossas cidades, temos que voltar a aprender a cultivar, a ler, a conhecer arte (meus caros, se vocês economistas souberem o volume do PIB do sub-sector arte por exemplo em Itália, França, Suíça ou Alemanha… até desesperam! – e não é financiado na sua maioria por governos, mas sim por privados com objectivos de lucro, pois a maioria sabe consumir arte fina, porque belo é subjectivo). Necessitamos de uma grande reforma de pensamento das nossas escolas, abrir novas disciplinas, incentivar ao diálogo, e suprimir as atitudes medíocres de grande parte da nossa população estudantil (eu também fui estudante e sei como é). Necessitamos criar seres humanos que para além de medicina, advocacia e engenharia, compreendam valores humanos e economia no geral, que saibam história e saibam contextualizar arte. Que consigam ser superiores intelectualmente. “Existe já por sí poucas horas de Português nos liceus” disse alguém? Talvez o seja porque os cérebros não estão preparados para absorver quase nada, talvez porque o cérebro seja um órgão que necessita de vários exercícios para praticar-se e exercitar-se no seu todo. Serão os pais que querem meter os filhos cedo a trabalhar? Alguns, talvez… mas conhecimento é garantia de sobrevivência. E disso não haja dúvida.

        Mentalidades? Talvez… mas também inércia e incompetência desde à décadas. Antes existia a desculpa de Salazar… e agora? A crise? Qual crise? A crise dos campos agrícolas sem plantações? A crise dos restaurantes que servem sempre batatas fritas (com óleo) com arroz? A crise das lojas de roupa que compram aos chineses antes de terem modistas? A crise do Belmiro de Azevedo que compra batata ao Francês? A crise do mecânico que vos tira peças do motor e troca por velhas para vocês lá voltarem? A crise do empregado que quando tem o trabalho feito decide fingir que falta ainda terminar tudo? A crise do pascácio que decide parar em 2ª fila para ir aos correios porque alguém na câmara à 40 anos deixou que alguns construtores ganhassem dinheiro à grande a fazer casas naquela rua e ninguém se lembrou que eram necessários equipamentos urbanos e urbanismo decente? Crise porque os nossos impostos hoje pagam os juros da dívida soberana apenas (pois é, quando nem a própria casa se sabe gerir… quanto mais o país)?

        Muita crise… mas tudo por inércia e incompetência… e se os jovens nem recebem, são eles quem se deve culpar?
        Talvez a SIC tenha tido razão: teremos que trabalhar MUITO mais que os nossos ancestrais! Teremos que trabalhar por NÓS e pelas asneiras que eles fizeram!

    • Mais um diz:

      Concordo consigo.

    • Rui Costa diz:

      Nuno, confesso que li o seu comentário na diagonal. Mas apanhei algo que chega para dizer o que penso:

      “Criar tabelas legais de valores de mercado para profissões específicas ou até de todas, à semelhança de países da Europa central.”

      Mais regras? Mais restrições? Mais entraves? Mais rigidez?

      Como temia, temo, e continuarei a temer, penso que ainda não aprendemos a lição.

  26. Joel Lucas diz:

    Caros Senhores,
    Não é a ir para a rua pedir mais e melhor para a nossa classe que resolvemos a questão.
    No limite o Sr. primeiro-ministro abre uma vaga para cada um dos participantes da manifestação na administração local! E será que o nosso problema fica resolvido?
    É preciso mais que isso! É preciso mais uma vez deixar de olhar para o nosso umbigo como tem feito os nossos pares e antecessores. Apelo à organização do movimento que reformule a causa de modo a envolver toda a comunidade trabalhadora que pretenda que o país mude e que se repense.
    Alguém entende o que digo?

  27. Euzinha diz:

    E que medidas concretas propoem para ter trabalho ou vao ficar a espera que o Governo crie emprego por voces? Manifestar e facil, mas ter ideias produtivas é dificil. Não se deixem ficar por frases caras e manifestações pseudo intelectuais que isso não resolve nada.

  28. André Silva diz:

    Boa noite.
    Vocês têm ideias semelhantes à Revolta das Vassouras, já conhecem?
    Ainda por cima eles vão para a rua 1 dia antes de vocês!
    Penso que seria vantajoso juntarem-se..
    Estou com os 2,

    Abraço,
    José Lopes

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