Carta aberta à Sociedade Civil

Carta aberta a todos os Cidadãos, Associações, Movimentos Cívicos, Partidos, Organizações Não-Governamentais, Sindicatos, Grupos Artísticos, Recreativos e outras Colectividades:

Protesto da Geração À Rasca

12 de Março às 15 horas

Avenida da Liberdade – Lisboa e Praça da Batalha – Porto

Exmos. Srs.,

O «Protesto da Geração À Rasca» surgiu de forma espontânea, no Facebook, fruto da insatisfação de um grupo de jovens que sentiram ser preciso fazer algo de modo a alertar para a deterioração das condições de trabalho e da educação em Portugal.

Este é um protesto apartidário, laico e pacífico, que pretende reforçar a democracia participativa no país, e em consonância com o espírito do Artigo 23º da Carta Universal dos Direitos Humanos:

1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.

2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.

3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.

(…)

Por isso, protestamos:

-Pelo direito ao emprego.

-Pelo direito à educação.

-Pela melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade.

-Pelo reconhecimento das qualificações, competências e experiência, espelhado em salários e contratos dignos.

Porque não queremos ser todos obrigados a emigrar, arrastando o país para uma maior crise económica e social.

Segundo o INE, o desemprego na faixa etária abaixo dos 35 anos corresponde hoje à metade dos 619 mil desempregados em Portugal. A este número podemos juntar os milhares em situação de precariedade: “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, estagiários, bolseiros e trabalhadores-estudantes.

No que concerne à educação, o acentuar das desigualdades no acesso ao ensino limita as oportunidades individuais. Milhares de pessoas são impedidas de ingressar ou obrigadas a abandonar os seus estudos. Outras ainda vivem situações de indignidade humana para conseguirem prosseguir os seus percursos académicos.

Não negligenciamos os problemas estruturais, domésticos e internacionais, que afectam a vida de muita gente na procura e obtenção de emprego. Queremos alertar para a urgência de repensar estratégias nacionais e não nos resignamos com os argumentos de inevitabilidade desta situação. É com sentido de responsabilidade que afirmamos que, sendo nós a geração mais qualificada de sempre, queremos ser parte da solução.

No dia 12 de Março, pelas 15 horas, convidamo-lo a estar presente na Avenida da Liberdade em Lisboa ou na Praça da Batalha no Porto, no Protesto da Geração à Rasca cujo manifesto abaixo citamos.


João Labrincha

Paula Gil

Alexandre de Sousa Carvalho

António Frazão

Manifesto

Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.

Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.

Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.

Caso contrário:

a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.

b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.

c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.

Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.

Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.

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60 respostas a Carta aberta à Sociedade Civil

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  4. Manuel diz:

    Jovens,

    Caros jovens desde já quero manifestar todo o meu apoio a este tipo de iniciativas tais como aquela que ocurreu no passado dia 12 de Março do corrente ano.
    E trato-vos por jovens porque também eu ainda me considero uma pessoa jovem e com vontade de dar algum contributo ao País,isto no que respeita a melhorias ao nivel do emprego e qualificações profissionais.
    Sei que a vossa intenção é aproveitar todas as ideias e contributos de caracter válido para posteriormente apresentarem á Assembleia da Republica e serem discutidas e quem sabe postas em prática.
    Pois bem podemos afirmar que isto funciona como sendo um “Brainstorming” , ou seja onde todos dão ideias e por mais ilógicas que sejam são por vezes aquelas onde nasce a solução para um determinado problema.
    Começo por dizer e com isto não quero de forma alguma chocar ninguem Licenciado em qualquer curso superior, mas como já estou cansado de assistir em debates públicos certas mentes ilustres da sociedade Portuguesa afirmarem que os jovens licenciados engrossam as fileiras do desemprego.
    A minha primeira pergunta é: que jovens licenciados?Que Licenciaturas possuem?
    Agora digo eu BASTA,e basta de colocar todos no mesmo saco é necessário que se diga claramente e mais que isso quantifiquem quem?o quê ,e quantos? que saem da faculdade e não tem emprego, ou que desempenham funções para as quais não estão qualificados.
    A minha primeira proposta de melhoria é varrer todas as Universidades e Institutos Politécnicos do Páis e verificar quais os cursos que estão acreditados pelo Ministério da Educação e caso não estejam questionar porque é que não estão ,segundo:Verificar se os mesmos fazem falta ao que o mercado de trabalho solicita caso não estejam elimine-se e reconverta-se o estudante noutro curso válido.Não nos podemos deixar enganar por qualificações superiores que pouco ou nenhum conteudo qualificativo tem,caso que acontece em inumeras Licenciaturas ministradas em Universidade Privadas.Jovens não basta ter um canudo na mão só para dizer que se é doutor.Temos de ter boas qualificações e entidades com alguma credibilidade.
    Falo por mim dado que sou Licenciado em Engenharia, uma area onde emprego não falta tanto em Portugal como no Estrangeiro, e são nestas areas que os jovens devem investir.Mas é legitimo perguntarem, e quem não pretende seguir uma area de ciências e prefere letras?Pois bem neste caso surge uma terceira melhoria que para mim é válida para todos os cursos.Temos então formar licenciados nas mais variadas areas ,mas apenas em numero necessário para dar resposta ao mercado de trabalho e não fazer licenciados em serie com o unico objectivo de dar lucro fácil ás Universidades.Todos se questionam porque é que os Licenciados em medicina tem trabalho , mas já devem ter verificado que as vagas de acesso a esse curso são limitadas ,então porque não existe coragem para aplicar o mesmo regime aos restantes cursos?A situação do nosso País exige que não metamos a cabeça na areia como a Avestruz , mas sim ter a coragem para mudar e não nos enganarmos a nós próprios , ou então ficar á espera que o outro resolva o problema.Varinhas mágicas e fadas madrinha não existem.Todo este processo vai levar tempo até que se consiga captar mais investimento externo seja na industria ou na area dos bens e serviços.Por isso reafirmo não podemos estar a permitir que se formem licenciados a granel sem que por detras exista um planeamento de empregabilidade que ao longo dos anos tem faltado ,ou nunca foi feito.
    A titulo de exemplo passo a citar um País com um planeamento correctamente estruturado, o caso que se passou na Noruega.
    O facto da Noruega ter recrutado engenheiros em 2008 prendeu-se com o facto da sua indústria naval e petrolífera do mar do norte estar em franco desenvolvimento ,e também devido ao Planeamento demográfico estar tão bem estruturado que permite que exista emprego para os cidadãos Noruegueses e estrangeiros sendo a taxa de desemprego bastante baixa ou seja quase nula ,como pode verificar e passo a citar:

    .”em 2006 (últimos dados publicados), a população empregada da Noruega representava 75,4% do total da população activa, sendo que o desemprego registou uma variação negativa de 1,1 p.p entre 2005 e 2006; prevendo-se uma taxa de desemprego de 3,0% no ano 2008. No que se refere à situação económica, estima-se um ligeiro decréscimo em 2007 face ao ano anterior, [o índice do PIB per capita estimado se situa nos 170 (considerando que os 25 * países da União Europeia correspondem a 100)], prevendo-se um crescimento real do PIB em 2007 de 2,4%, face a 2006, e de2,2% em 2008, comparativamente ao ano de 2007;… “.

    Por outro lado a rede de centros de emprego governamentais criada a nível dos municípios e dos distritos constitui um dos mais importantes instrumentos da política Norueguesa quanto ao mercado de trabalho. As autoridades públicas implementaram também medidas de emprego abrangentes, tais como o apoio ao pagamento de salários para empresas que contratam novos trabalhadores sem que sejam despedidos, iniciativas de formação e programas de colocação em postos de trabalho, bem como medidas especiais para indivíduos com escolhas vocacionais limitadas.
    Face a este quadro da realidade do nosso país é bom que existam a nível europeu estas ofertas e intercâmbio profissional onde a experiência profissional é tida em conta e a idade não é considerada como um factor decisor quando é realizada uma análise curricular ,muitas vezes por entidades recrutadoras externos á empresa que solicita um colaborador, sem sequer terem algum conhecimento das áreas profissionais do candidato em questão limitando-se apenas ao exame do “passa , não passa”.
    Outra situação que lamento verificar no nosso país é o facto de certas empresas passarem o trabalho que um determinado colaborador fazia pelos restantes colaboradores existentes dentro da organização quando esse mesmo colaborador decide ir para outra empresa ou até mesmo quando o contrato de trabalho caduca ,porque apenas foi contratado para prestar o chamado serviço do desenrrasca (salvador da pátria) e mais grave é ser contratado por uma empresa que presta serviço a empresa recrutadora recebendo um vencimento mais baixo em relação a outros colegas e exercendo todos as mesmas funções.Será isto fomentar emprego?Já agora tambem vos posso adiantar que um exemplo destes é a Autoeuropa ,que através de uma empresa do grupo (Avision) recruta colaboradores para prestarem serviço na Autoeuropa fazendo contratos mensais , ou até mesmo contratos de curta duração.E depois quando terminam?Vive-se do ar?Vai-se bater a porta dos pais?Mais caricato ainda é colaboradores que entraram como operadores e com a sua força de vontade estudaram e concluiram cursos de licenciatura em engenharia e andarem anos e anos a concorrerem internamente a vagas para técnicos de engenharia e serem excluídos por não preencherem um ou outro requisito ,e verem outros a entrar pela porta das traseiras sem qualquer experiência porque são amigos de um alto quadro. Ou quando se vem para a comunicação social (RTP) comunicar que vão admitir mais 300 funcionários para fazer show off ,mas quando terminou em Agosto do ano passado a linha do EOS e mandaram embora um elevado numero de operadores que estavam com contratos mensais não souberam dizer nada. Era isto que o Sr. Chora deveria trazer a lume ou denunciar enquanto membro da comissão de trabalhadores e deputado na Assembleia da Républica.
    Pergunto também quando surgem ofertas de emprego nas mais variadas areas nos jornais e portais de emprego as empresas não dão prioridade a quem se encontra desempregado?Vão logo imediatamente escolher quem se cadidata á vaga e se encontra empregado , e até mesmo já com alguma experiência.Criam-se tantas leis neste país, mas criar uma que facilite a empregabilidade existindo um compromisso entre a empresa e o Instituto de emprego e formação profissional não se cria.
    Coitado do jovem…nunca tem oportunidade de adquirir experiência.É triste…
    Mais uma vez afirmo ou existe coragem por parte dos politicos para mudar e terminar com estado de marasmo em que andamos e criar sim uma politica de crescimento económico e não de despesismo ,sim porque os seviços do estado não geram riqueza mas sim bens e serviços uteis ,porque quem gera riqueza é quem produz (fábricas/empresas) ou então afundamos o barco ainda mais.
    Depois tambem queria alertar para outra coisa muito curiosa , agora andam os politicos todos empolgados com com a celebre frase que temos que produzir mais, mas eu pergunto produzir mais o quê? Será que não entendem que só devemos produzuir o que o cliente final necessita ao mais baixo custo e a tempo ,ou seja Just in Time.Stocks são desperdicio,sendo que as empresas produzem com o minimo de operadores necessários e muitas as vezes com sistemas de turno de 11 horas ,ou seja fica mais barato pagar horas extra do que contratar pessoal para um terceiro turno.E depois é assim que querem gerar emprego?Defendo que as empresas sem sombra de duvida devem ter lucro mas tambem deviam de olhar um pouco mais á parte humana.Enquanto quem dominar o capitalismo não souber descer ao nivel de quem apenas sobrevive com o seu parco salário o mundo nunca será equilibrado.

    Com os melhores cumprimentos,
    Anónimo

  5. Joaquim Raimundo diz:

    Mia Couto – Geração à Rasca – A Nossa Culpa
    “Um dia, isto tinha de acontecer.
    Existe uma geração à rasca?
    Existe mais do que uma! Certamente!
    Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa
    abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes
    as agruras da vida.
    Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar
    com frustrações.
    A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também
    estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
    Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância
    e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus
    jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

    Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a
    minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos)
    vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós
    1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
    Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram
    nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles
    a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos…), mas também lhes
    deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de
    diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível
    cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as
    expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou
    presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
    Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o
    melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas
    vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não
    havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado
    com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

    Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, … A
    vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

    Foi então que os pais ficaram à rasca.
    Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem
    Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde
    não se entra à borla nem se consome fiado.
    Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar
    a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de
    aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a
    pais.
    São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e
    da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que
    os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade,
    nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

    São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter
    de dizer “não”. É um “não” que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e
    que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm
    direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas,
    porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem,
    querem o que já ninguém lhes pode dar!

    A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo
    menos duas décadas.

    Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
    Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por
    escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na
    proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que
    o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois
    correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade
    operacional.
    Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em
    sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso
    signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas
    competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
    Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por
    não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração
    que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que
    queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a
    diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que
    este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
    Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo
    como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as
    foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
    Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não
    lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
    Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

    Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de
    montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o
    desespero alheio.

    Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e
    inteligência nesta geração?
    Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
    Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no
    retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e
    nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como
    todos nós).
    Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados
    pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham
    bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados
    académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos
    que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e,
    oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a
    subir na vida.

    E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos
    nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares
    a que alguns acham ter direito e que pelos vistos – e a acreditar no
    que ultimamente ouvimos de algumas almas – ocupamos injusta, imerecida
    e indevidamente?!!!

    Novos e velhos, todos estamos à rasca.
    Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
    Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme
    convicção de que a culpa não é deles.
    A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem
    fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e
    a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
    Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
    Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

    • Que ganda treta…
      Eis aqui um já não tão jovem de 41 anos, que acha, sim, que um Estado que lhe vendeu um curso sem saídas (e já lá vamos a isso…) apenas para aguentar universidades, postos e vícios é um Estado de mentirosos e corruptos. Porque no caso vertente a coisa não anda para que outros possam andar, ainda mais e mais depressa: engenheiros, arquitectos, economistas e advogados para só falar nos mais óbvios agentes da deformação. E este andar depressa deu nisto, numa crise de desregulação extrema que é ainda terra de oportunidades, como o são todas as guerras. É lamentável achar-se que foram só os cidadãos e não quem conduz (pediu para o fazer, e continua a pedir por mais…) quem defraudou e, acima de tudo roubou Passados, Presentes e Futuros. Não há oportunidades porquê? Para quem? Foram vendidos cursos e habilitações e necessidades porquê? E Quem beneficiou com todo esses nichos de mercado? Quem deixou de ensinar regras em escolas? Que Exemplo pode ser ensinado quando a Mentira é patrocinada ao mais alto nível? Quem deixou ocupar terrenos agrícolas e abriu as pernas às construtoras, esventrou paisagens, contaminou águas, com estradas, pontes, barragens…
      Acaso é crime acreditar que se pode viver mais e ser menos escravo? Ou será antes criminoso quem meteu pelos olhos a dentro publicidade enganosa a incautos consumidores, a quem reguladores ou leis nunca assistem!
      Que ideal de sucesso é esse que insiste em mais operários e indústria agora de serviços, onde se enterram essas massas licenciadas com carimbo oficial? Fizeram-nos escravos habilitados (quando diziam ser esse o problema do país)para as únicas oportunidades que reservaram às massas – Call Centers e outras fábricas de chouriços -, e depois pedem-nos empreendedores? E querem-nos mesmos aí?! E que outros jovens de sucesso são esses? Será que se fala dessas hordas de gente de bem, com apelido estrangeiro ou apenas z em vez de s, ou dois tt, para quem todas as portas se encontram abertas ainda antes mesmo de terem nascido? Ou de todos os parasitas de todas as escolas do poder que ocupam e esgotam todos os recursos? Desse mal não ouvi ao cronista. É certo que sempre ouve quem desbaratasse a sorte mas, meter tudo no mesmo saco e analisar toda uma realidade, óbvia! desta forma monocromática é espreitar por uma janela muito estreita… Para isso Sr. biólogo, fica, oferecida por um geólogo, uma janela um pouco mais ampla. Abeire-se e espero que se espante, do que desde lá se vê. Eu, nem por isso. E, afinal… vivemos bem as nossas vidas ou “queimámos etapas de crescimento” como diz! Parece-me algo mal conseguido, confuso esse trocadilho. Fica para a próxima, não geração, que não é esse o conflito, ou ainda se acha… As gerações de que se fala, deveria falar, são as de todos os políticos medíocres e facínoras.

  6. James diz:

    Dois pontinhos:

    01. A referida avenida não é assim tão difícil de subir…

    02. O vinte cinco do quatro foi um «golpe militar» , feito por tenentes e capitães descontentes por outras razões ( ok, havia um ten-cor, o falecido Fisher…)
    Têm a certeza que querem maix um ?
    :/

    • Carlos Miguel Calado Lontro diz:

      isto é muito importante para o país, não vez que o cavaco juntamente com mais uns so se aproveitaram do poder para ficar ricos e so tomaram algumas providencias durantes alguns anos e que isto ja voltou ao que éra, pois qualquer dia nem sequer liberdade de expreção vamos ter, qualquer dia esta aqui outro país a dominar isto com politica do exterior, temos mesmo que fazer UMA REVOLUÇÃO com a ajuda de todo o povo e militares de Portugal.

    • Carlos Miguel Calado Lontro diz:

      james eu proprio ja mandei uma menssagem ao serviço militar de portugal para que nesse dia todos os militares possam ir até a avnida da liberdade ou em frente ao palacio de belem para darem o seu contributo ao povo portugues e para que assim no dia 25 de abril possa ocurrer uma nova revolução, so temos agora que fazer passar esta menssagem até ao maximo de portugueses que podermos. temos que por fim a este faxismo.

  7. Carlos Miguel Calado Lontro diz:

    eu peço aqui hoge que no dia 25 de abril se faça uma nova revolução em portugal, temos que por fim a esta crise de uma vez por todas, eu ja enviei esta menssagem traduzida por outra forma para o portal da geração a rasca e para alguns partidos de extrema esquerda, temos que travar este faxismo de uma vez por todas, temos que ganhar o poder por portugal e passar a tirar aos ricos tudo o que eles nos têm andado a tirar a nós, vão ao portal da geração a rasca e la vão encontrar as outras duas menssagem que deixei para todos lerem, pois são algumas das medidas que temos que por em pratica para acabar com esta crise apos uma revolução feita no nosso país. Despeçume pedindo a todos que mandem esta menssagem a todas as pessoas que conheçam, para que do proximo dia 25 de Abril o povo saia a rua e vaia até a avenida da liberdade em Lisboa e se possa se dar assim uma das maiores revoluções do mundo, temos que tirar estes kadafis daqui para fora. Avante Camaradas.

  8. Pingback: Portugalia: Pokolenie naiwnych, domagających się zmian i ledwo wiążących koniec z końcem · Global Voices

  9. Simão diz:

    Estas manifestações são muito importantes para o futuro do país e as palavras que possam surgir contra, só nos darão mais força. Sou um patriota e é de pessoas como eu e todos nós que participam neste movimento, que o país precisa. Pessoas que estão disponíveis para servir o país e não para se servir dele. Há várias medidas que deveriam ser tomadas e que todos nós conhecemos (como a redução drástica do nº de deputados, da sua idade de reforma, da criação de um plafond máximo de reformas, da proibição de acumulação de reformas, acabar diversos cargos nomeadamente acessores e vices, acabar com diversos institutos e fundações, pôr a justiça a funcionar desburocratizando-a, etc…) no entanto, penso que é muito importante para já que a sociedade civil discuta todos estes problemas, como nós estamos a fazer agora. É preciso que a sociedade portuguesa chegue à política, pois assim que o faça as coisas mudam. Gostaria de vos deixar este vídeo:

    Este é um modelo de país que devemos seguir. Aqui existe respeito pelo que é público. A gestão do que é público deve ser encarada com muita seriedade pois trata-se do dinheiro que é de TODOS nós!

    • Carlos Miguel Calado Lontro diz:

      pois eu concordo de braços abertos com estas medidas a tomar em portugal que é tirar todo o luxo de vida a esses politicos de merda que so sabem roubar ao nosso país

  10. Pingback: Tudo o que quer saber sobre as manifestações de 12 de março e não tem vergonha de perguntar | Aventar

  11. James diz:

    Sem faxer parte d’essa geração, e sem concordar com tudo (essa ‘estória’ da ‘precariedade’ tem o que se lhe diga, mas não é a altura, não é oportuno…) estou convosco, de alma e coração.

    A.S.C.

  12. Pingback: Portugal: A Protest Generation, Foolish and Scraping By | Daringsearch

  13. Pingback: Portugal: A Protest Generation, foolish and scraping by · Global Voices

  14. Amilcar Maria diz:

    Parabéns pela iniciativa.
    Eu também vou estar porque com 57 anos, reformado à força porque não consegui encontrar emprego, depois de um despedimento colectivo nas Páginas Amarelas SA (39 anos de trabalho desde os 14 anos) em 2007, o Centro de Emprego nem uma convocatória arranjou, também porque tenho dois filhos na idade que se enquadra na vossa e que em qualquer altura podem ficar sem emprego, ambos ainda em minha casa, uma com 29 anos, outro com 24 anos sem prespectivas de poderem constituir familía. Vamos aproveitar a manifestação para protestar. Já que isto estava um bocado adormecido desde o PREC, salvo uma outra vez. Vamos mostrar ao engº relativo o nosso poder, pode ser que nos convide para um almoço dançante em S.Bento. Desejo que tudo corra bem.
    Cumprimentos
    Amílcar Maria

    • Epitácio Lemos diz:

      Desculpa lá, mas tem havido ao longo dos anos manifestações, greves e protestos. As pessoas é que só vão àquilo de que fala de televisão…

  15. mjg diz:

    Podem contar comigo!

  16. Concordo, mas naturalmente com ligeiras nuances.
    Eu, nunca pactuei com coisa alguma que de uma forma ou outra nos arrasta até este (mau) Estado, e por isso mesmo não fiquei na função pública, por não ser flexível, “elemento de confiança”, status cujo atestado passa entre outras coisas por um carimbo partidário, seja ele qual for. Alinhado com tudo o que faz deste país um projecto adiado, talvez inviável é que NÃO, definitivamente NUNCA. País inviável sim! Verdadeiramente insustentável! Porque emigrar é fórmula antiga, desumana, porque um país só para alguns não merece existir. Se alguém deve sair que seja agora quem nunca o fez, quem se tem servido ao invés de servir, quem ocupou a praça pública e a tomou como sua, fala em nome de todos. É essa mesma rua, praça, que deve agora voltar para quem de direito, tornarem-se caminhos abertos que em breve se espera, espero, nos conduza a uma outra forma de Ser e Estar na Vida Pública. Porque é imparável este que é, um verdadeiro e natural Big Bang social. Nada será como dantes, acredite-se. O ADN do Poder tem hoje que contar com novas estirpes, sangue novo! A lavar uma decadente consanguinidade.
    E já se passou a barreira 35 há algum tempo também, pelo que não se entendem apelos, discursos, medidas segmentadas de acção. Chega de Dividir, para reinar! Chega de partidarite, de mediocridade, de mau teatro, de manipulação! Faça-se Justiça à Inteligência, por todos e não apenas por razão de alguns. Basta de vício, de previlégio, de apelidos de família ou cores revolucionárias que abrem todas as portas! É na rua sim! E sem pedir licença! Mas é à Decisão que urge chegar, porque a democracia ainda vai no adro. Porque ninguém fala por mim, muito menos como o tem feito.
    Há mais de um ano manifestei-me em frente a S. Bento, pela Dignidade em falta no exercício de uma profissão convenientemente arredada da Sociedade – a Geologia-, por Equidade Social, Verdade Política. Quis devolver o meu diploma universitário ao Sr. PM, porque não lhe acha préstimo nem valor de mercado uma economia deformada, engenhosamente manipulada. E paga-se, e está longe de ser um drama apenas pessoal, de classe. As Catástrofes, que de Naturais têm pouco, servem de prova dos 9… E ainda há quem diga que este país mudou muito. Sim, já não andamos de carroça, mas, pudera! Que raio… Que pobreza de análise! E isso sim, é que é colaboracionismo, corrupção intelectual no mínimo. Media, partidos, nessa manif é mentira. Que critério, bitola se seguiu é fácil adivinhar.
    Por tudo isto e muito mais digo BASTA!
    Desculpem o incómodo.

  17. eduardo santos diz:

    Caros amigos (as). Felicito-vos pela iniciativa e desejo que a mesma seja o rastilho para uma tomada de posição de todas as classes sociais, especialmente as mais desfavorecidas, aquelas que têm menos poder de reivindicação na sociedade. Pertenço a outra geração, tenho filhos e netos, mas aprecio os valores que deveriam ter estado na base de uma sociedade mais justa e que não é possível vislumbrar. Há outros extractos da sociedade que estão ainda pior que vocês, mas será bom que a vossa vitalidade obtenha frutos e dê incentivo para que outros avancem e exijam dos poderes instituídos aquilo que a Constituição Portuguesa lhes confere. Infelizmente, há culpados por esta situação, os políticos que nos governaram e governam há mais de duas décadas, é tempo de correr com eles. Quero apenas deixar uma sugestão: não conspurquem a vossa luta com ligações a partidos políticos, sejam eles quais forem, pois só dessa forma o vosso movimento terá verdadeiramente pés para andar e apoio
    da sociedade que se sente mais defraudada. Não esmoreçam na vossa luta e deixem falar à vontade os velhos do Restelo, pois vocês estão a seguir o caminho certo.

  18. chatice_tuga diz:

    Vamos nessa.

  19. chatice_tuga diz:

    Esqueci-me de outra coisa que os islandeses tiveram coragem de fazer:
    - Limpar as toupeiras dos Média;
    - Proceder judicialmente contra quem defraudou os cidadãos.

    Tenho dito.

  20. chatice_tuga diz:

    Espontâneo foi a tomada de posição do povo islandês e das instituições da Islândia. Nada de pagar aos banqueiros e as “dívidas de jogo”. Temos que estar dispostos a ir até às últimas consequências, de outra forma, não percam tempo. Está tudo por fazer e a Agenda 21 só está no início. Isto não pode ser um novo 25 de Abril, deixem-se de demagogias.

  21. joão gomes diz:

    isto quer é uma revolução,eles são todos uma merda,olham é para eles e amigos deles,nós,mais os trabalhadores e os pobres que paguem,temos de mostrar atitude.
    Andamos a mando da Alemanha que vergonha nem palavras há para descrever isto,cada vez ade ficar pior acreditem.

  22. Pingback: Portugal: Parva e à Rasca – Geração Mobilizada · Global Voices

  23. Maria Lopes diz:

    Faço parte da “geração à rasca” à 23 anos. Desculpem, sou quarentona, mas estou “Convosco”. Calculo que quem acabou de ler este “preambulo” já deve estar a rir-se, comentando o quão energumena devo ter sido, para com esta idade sofrer do “sindrome -de- Peter- Pan- geracional- português”?!
    Cumpri à risca o que me foi solicitado na profissão e para isso aceitei as regras: vivendo em Lisboa, fui trabalhar para Bragança 3 anos. No 1º ano, ao contrário do que os Xutos & P. cantavam, levei 11 hrs para lá chegar de autocarro. Sozinha. Riam-se: Não se alugavam casas como agora…tive de levar fogão (campismo), tachos, … Depois fui 2 anos para o Alentejo, Coimbra, Leiria…foi mesmo conhecer Portugal! Não o urbano, cosmopolita, alienado; o real, aldeia a aldeia. Peço desculpa, quando mencionei os distritos, não referi que ficava numa localidade algures mais ou menos esquecida, perdida dos concelhos inerentes. Actualmente estou no Ribatejo, com muito gosto. É aqui que vivo com o meu marido e filho. No tempo em que estudei, não era qualquer família que tinha os filhos a estudar; verdade. Acreditem. Dentro do meu meio social humilde , fiz o Magistério Primário de Lisboa. Naquela época, embora considerado ensino superior, não facultava licenciatura. A média individual- Nacional atribuida não podia ultrapassar 16 valores. Por turma , 13 v. Costumo “brincar” dizendo que tive média de curso de 19 e de Estágio de 20. Em ’2000, conclui em pós laboral a Licenciatura, percorrendo diariamente 200 km. “Trabalha que p’ra ti é”- dizia o meu Pai. Não fiz outra coisa. Cada vez trabalho mais por menos. Frequento anualmente Acções de Formação que actualizem o meu curriculum. Mas meus queridos amigos (as) também me iludiram e mentiram. Estou agora duplamente à rasca, porque tenho um filho que estuda e em breve está como vós, nós(se mo permitem dizê-lo). Obrigada por terem a coragem de não se acomodarem. É que “nós” tinhamos tanta esperança que tudo isto fosse transitório que deixamos passar 20 e tal anos. Apartidáriamente, junto a minha à vossa voz. Educadamente, pacificamente, inteligentemente, vamos lá…até dia 12!

    • ACREDITÁMOS TANTO!
      No que diziam os nossos Pais.Até porque faziam das tripas coração para nós estudarmos.
      No Prec.(??????)
      Na Democracia!
      E por isso,fomos carne para o canhão de todos os que se aproveitaram de Nós!
      Já tenho netos,e uma história de vida parecida com a sua,parecida com a de tantos!
      Fomos enganados.
      Mas vamos continuar a ensinar os mais novos A LUTAR.
      Só com muita Luta Consciente e Organizada,poderemos mudar as mentalidades e os comportamentos.

      Saudações.

  24. Pedro Pedreiro diz:

    Os partidos têm de deixar de ser associações quase mafiosas … basta ir as reuniões dos partidos e ver como aquilo funciona … trata-se do jogo da Glória … não há democracia dentro dos partidos … é a fantochada do cartão do partido … quem tem acesso aos cargos, ao telemovel do sr presidente do conselho (ver caso tvi) é que manda !!

    Mas … hélas … os partidos são meros espelhos da sociedade onde vivemos !

    Não sou naif o suficiente para acreditar que a hipocrisia e a mentira não regem as sociedades onde vivemos … agora o nível de hipocrisia e mentira têm de estar a níveis aceitáveis … quer dizer um partido não pode ser eleito anunciando uma declaração de princípios (e o respeito pela constituição em vigor !) e depois fazer tudo ao contrário !

    O Cavaco disse um dia que a solução para a segurança social era “os reformados morrerem todos” (podia começar por ele e tomar a “iniciativa”) … o que se vê neste pais nos últimos 5 governos é o sistema de saúde a ir pela água abaixo … estão hipocritamente e subrepticiamente a matar os velhos mais pobres e os doentes ! Entretanto os hospitais privados florescem para quem tem dinheiro e para quem conseguem a credencial para o Estado pagar a conta … os hospitais privados afinal vivem à conta do erário público !!!

    O Cavaco disse um dia que para competir com o estrangeiro a nossa única coisa era a “mão-de-obra barata” (citação) … o que se viu foi a degradação progressiva das condições de trabalho para acabar agora com o despedimento facilitado sem indemnização .

    À direita é tudo para as empresas, “menos estado” mas são mais chupistas que aquelas pessoas que o fazem por dinheiro… mas o discurso populista já enjoa … depois pedem mais policia, metem o pais numa guerra que não tem fim à vista !

    À Esquerda é tudo para os trabalhadores mas esquecem-se o que estado somos nós e quem paga a factura somos nós !

    Ao centro (já não sei se direita ou esquerdo pois o “balde é sempre o mesmo”) é pedir dinheiro emprestado para pagar dinheiro emprestado nunca esquema quase de pirâmide …

    Voltamos basicamente ao mesmo sistema que vigorava durante a ditadura do Salazar … uns quantos grandes grupos económicos dominam tudo e todos, uma oligarquia voltou a instalar-se na sombra que se serve dos políticos como marionetas, as leis são feitas à medida de bancos e corporações, ….
    com uma grande diferença agora fazem mesmo o que querem pois podem por o dinheiro no estrangeiro à vontade.

    E ninguém repara que o país está a participar numa guerra (são milhões por mês) no Afeganistão e no Iraque sem que tenha sido declarada guerra a ninguém, sem a assembleia da republica ter votado nada … sem fim ou objectivo à vista !?!??!

    Agora vamos a ver se o ministro da administração interna vai finalmente poder usar os tanques “populares” …

    • Tudo isso e muito mais.

      Mas daqui parece concluir-se uma necessidade de fazer uma completa “mudança de paradigma” em relação à situação existente, que comece por deitar fora o actual sistema judicial (comprometido com o sistema económico e político) e crie um sistema baseado nos cidadão que vá descobrir todas as decisões tomadas “em proveito próprio e dos amigos” (incluindo as “reformas” excessivas dos políticos, e no altos lugares do sector público – directo e “empresarial – as obras e privilégios dados sempre aos mesmos – Lusopontes, obras à Mota-Engil coelhista, etc – e declare tudo isso (e muito mais que seria longo explicar aqui) actividades que são ilegítimas e sobre as quais portanto se deve manifestar, não apenas “o direito à indignação”, mas o direito a fazer reverter tais coisas de volta para o erário público, pondo fim às transferência da res publica para res privata a que temos assistido, nos últimos 20 ou 30 anos.

  25. Pingback: Tudo o que quer saber sobre as manifestações de 12 de março e não tem vergonha de perguntar | Aventar

  26. José Costa diz:

    Imensa alegria por ver que esta geraçao esta cheia das tretas (ou tetas?) da crise e que decidiu construir algo com as suas proprias maos em vez de estar à espera que lhe digam o que deve fazer e sobretudo o que nao deve fazer. Queriam estes apostolos da crise que cada um de nos tivesse medo, se fechasse em casa, que nos tornassemos desumanos, sem solidariedade alguma, bichos à espera dum bocado de carne, de um emprego mal pago que deveriamos agradecer, de uma vida à espera da morte sem viver.

  27. Ze Povinho diz:

    Cargos de direcção

    acumulam Abonos !!!!!!

    .Despesas de representação
    .Direcção de serviços XPTO
    .Despesas de telefone
    .Coordenações
    .Ajudas de custo
    .Horas extraordinárias

    os cargos na maioria são para o resto da vida, com tantos abonos quem é que queria largar o “osso” !!!!!!!!!

    Grande parte destes priveligiados, exerce funções em mais do que um organismo, assim acumulam rendimentos de diferentes origens mensalmente, ao fim de alguns anos, o seu património já que triplicou, assim é dificíl perceberem as dificuldades do pais.

    Se estes mesmos rendimentos fossem repartidos por mais seres humanos, quantas mais pessoas contribuiriam para o PIB nacional, provavelmente com melhor desempenho e resultados !!!!!!!

    Quantas mais teriam empregos !!!!!

    Não seria mais produtivo, uma vez que deixaria de se sobrecarregar estes sortudos que coitados todos os meses tem de fazer a contabilidade de forma a garantir que recebem os diversos rendimentos, que o organismo x e y não se esqueceu de pagar.

    Uns regozijam-se de ter muitos abonos e salários acumulados, enquanto outros lamentam ter dificuldades de sobreviver, ora que pais é este, para onde foram os principios de respeito pelo próximo !!!!!!!

    Muitos anos nos cargos de direcção, em toda a administração pública, deveria ser proibida, não tem nenhuma vantagem a não ser abuso do poder, e claro o enriquecimento pessoal e favorecimento de mais uns quantos, ao menos que exista rotatividade, caso contrário esta gente perpotente, com o queixo demasiado elevado o que por si só pode criar alguns problemas na cervical, não queremos que o estado novamente acarrete com mais custos, do que aqueles que descaradamente e parte oculto já suporta !!!!!!!!!

    Na adminstração pública, os abonos, concursos, etc, deveria ser completamente transparente, de publicação obrigatória.

  28. Corrigir a palavra ‘impeachment” no texto que acabo de enviar.
    obrigada, wanda

  29. Li o manifesto e as reflexões por ele suscitadas. Gostria tanto que os jovens do meu país tivessem essa consciência de cidadania e lutassem por seus direitos!Lamentavelmente as lideranças estudantis críticas foram amordaçadas no período da ditadura (1964-1969) . Em 1980 os movimentos estudantis começaram a se reorganizar e novamente seus lideres foram peseguidos e até expulsos das universidades. A última manifestação de massa dos estudantes no Brasil foi em 1991 (movimento dos “cara pintadas”) que até hoje é lembrado porque culminou com o “impechmann” do Presidente da República. As dificuldades dos jovens brasileiros é semelhante a dos jovens portugueses ( desemprego, baixo salários , mensalidades escolares muito caras, ensino de má qualidade …) com a diferença que aqui falta desejo de mudança.
    Continuem a luta mas aliem-se aos mais velhos porque o saber e a experiência deles são de fundamental importância para essa luta cívica que deve ser travada em prol de todas as gerações .
    Wanda Siqueira – Porto Alegre- Brasil

  30. Joaquim Valente diz:

    Este sistema democrático está falido… estes políticos estão esgotados… Para que precisamos num país com 10 milhões de pessoas, um presidente da república, um presidente da assembleia, vices para tudo, primeiro-ministro e por aí andando… mais uns nomeados com salários aberrantes…

    Repensemos um novo estado… um novo sistema… isso é que é necessário. Claro que a manifestação será um excelente começo, mas não podemos parar por aí…

    VAMOS ACABAR COM OS PARTIDOS… vamos eleger pela base… não precisamos de partidos obsoletos para nada…

    Um exemplo interessante… exclusivo a candidaturas pessoais (como nas presidenciais)
    As freguesias elegiam um representante.
    Estes elegiam o representante do concelho.

    Os representantes dos concelhos, elegiam os representantes do distrito.
    Estes elegiam o presidente.

    E chegava de tachos nomeados.

    As restantes equipas, seriam técnicas, teriam que subir na carreira até ao topo. Nada de nomeações.

    Assim reduzia-se drásticamente a despesa pública e a corrupção pública. Os interesses de grupos acabaria por ser muito mais debilitada, porque as candidaturas são todas pessoais e surgiam das bases.

    PENSEM NISTO…

    APRESENTEM SOLUÇÕES… VAMOS DEBATER AQUI O FUTURO DO PAÍS…

      • (Por extenso pois me disseram que há quem não goste de seguir links)

        12/Março/2011, 23H – E agora? (uma perspectiva pessoal)
        Que pensar das manifestações de hoje em todo o país? Acompanhei ao vivo a de Lisboa e, na TV, o que deu das outras.

        O que é que me impressionou na de Lisboa?

        - o número espantosos de manifestantes e outros simpatizantes. Não sei se seriam exactamente os 200.000 reivindicados – mas eram muitos!

        - o facto de que havia pessoas de todas as gerações – dos 5 aos 75 via-se de tudo – uns por solidariedade; outros porque também estão “à rasca”…

        - o facto de que, pese embora a tentativa de aproveitamento de algumas juventudes partidárias e de alguns arruaceiros – a manifestação se manteve, no essencial, apolítica e ordeira.

        - o ter sido uma lufada de ar fresco num país que parece conformado a ser governado (e roubado) agora por uns, e depois pelos que com eles “alternam”, todos vampiros e sanguessugas (e o Zeca ao longe – na minha imaginação – “eles comem tudo, eles comem tudo…”)

        O que não gostei:

        - a falta de organização?

        Via Facebook – e mesmo mantendo de fora os partidos e centrais sindicais – não teria sido possível obter o apoio de quem tenha organizado manifestações – por exemplo, antes do 25 de Abril – e pudesse dar umas dicas? e de bandas de garagem, que tenham aparelhagens sonoras decentes – em vez de megafones comprados no chinês? e de quem soubesse montar um palanque onde os organizadores, e quem mais quisesse, pudesse falar (ou cantar) aos presentes?

        Não era possível ter pensado em meia dúzia de refrães e de cantigas, que se divulgassem, ouvissem e conhecessem antes, e que as pessoas pudessem gritar ou cantar em uníssono?

        Assim, a manifestação acabou por ir desmobilizando progressivamente, por falta de continuidade, e o que se viu foi um montão de folhas A4 entregues aos organizadores (mas não teria sido possível isso ser enviado por e-mail e ficarem registos digitais, que seria mais fácil tratar?)

        - o ar sorumbático e a “falta de alma” e de convicção e alegria dos manifestantes. Percebo o “enrascanso”, mas não a falta de convicção. Afinal as pessoas foram a uma manifestação apenas para mostrar a sua tristeza ou para tentar mudar alguma coisa?

        Que fazer de seguida?

        Ninguém nasce ensinado e o “caminho faz-se caminhando”. Portanto, acho indispensável:

        - que os organizadores alarguem o círculo de decisão e oiçam outros com maior experiência – e não estou a falar de partidos ou sindicatos, mas de pessoas individuais e movimentos de cidadãos, que estão desafectadas do sistema político, da “democracia representativa” (em verdade, pseudo-democracia, pois a justiça não funciona, nem é independente , e a independência dos media deixa muito a desejar, para já não falar das “entidades reguladoras” disto e daquilo, que são apenas lugares para os boys já grandinhos, e não controlam nada) não havendo pois quem controle o sistema e a roubalheira que à sombra dele se faz, começando, desde logo, dos lugares mais altos);

        - que se tirem lições do que correu bem e do que correu mal e se melhore o que possa ser melhorado;

        - que se alargue o movimento a um “país à beira do abismo” em vez de uma “geração à rasca”.

        - que se organize outra vaga de manifestações em todo o país, num prazo o mais curto possível, mas respeitando as regras legais. De hoje a 8 dias, dia 19, se possível.

        - que se mantenha o carácter apartidário e pacífico, mas se perceba que a intervenção é política, no sentido em que pretende denunciar e mudar o actual estado de coisas.

        - que se comece a pensar em quais deverão ser os contornos ainda apenas preliminares e em esboço, da democracia participativa que se pretende, vendo, nomeadamente, que tipos de soluções estão a ser adoptadas em países que estão a sair da crise, fazendo-a recair sobre quem tem mais dinheiro e bens (cá ou em offshore), em vez de sobre quem tem menos.

        Nota: Haveria muito mais a dizer mas, como disse antes, “o caminho faz-se caminhado”. Em qualquer caso, há neste blog algumas outras reflexões sobre o nosso sistema político e económico, sobre que valeria a pena meditar. Fi-lo (ao blog) “just in case”, mas talvez agora possa ser útil.

  31. carlo santana diz:

    Durante anos após o 25 de Abril as forças do grande capital com a ajuda dos meios de comunicação Social “principalmente TV” tudo tem feito para que nós deixemos de pensar com a nossa cabeça e infelizmente tem conseguido ” DIVIDIR PARA REINAR”
    Mas tudo tem um FIM!
    Mais VALE TARDE DO QUE NUNCA!
    A crise é REAL mas as empresas cada vez tem mais LUCROS. EM nome da CRISE têm limpo as empresas de vencimentos acima de 1500 euros e substituido pot metade ou ainda menos A CRISE È PARA TIRAR REGALIAS AOS QUE TRABALHAM.
    PS/PSD/CDS são todos FARINHA DO MESMO SACO.
    TEMOS DE VIR PARA A RUA – TINHA 17 anos no 25 de ABRIL sei o que os meus familiares passaram antes de 25 de Abril tambem sei o que o povo FEZ NA RUA CONSOLIDOU A DEMOCRACIA ESTÁ NA HORA DE VIR NOVAMENTE PARA A RUA ACABAR COM A CORRUPÇÃO E O COMPADRIO A LUTA AINDA AGORA COMEÇOU TODOS AS MANIFESTAÇÔES DO DIA 12 de MARÇO como dizia ZECA AFONSO VENHAM MAIS CINCO A LUTA CONTINUA UNIDOS VENCEREMOS.

    • be wise diz:

      Mas meu caro senhor; lamento o que se passou antes do 25 de Abril, mas com todo respeito… foi o 25 de Abril que gerou este sistema… Compadrio, jeitinhos… desigualdades, Favorecimentos, desmérito que tem se esforça e tem arte. Corrupção a todos os niveis… etc… são ferramentas introduzidas pelo 25 de Abril.
      Toda esta teia de influência… e não me falem BE e PC, que estes são bem mais corruptos.

  32. Pedro Miguel diz:

    Fazendo parte da geração dos trinta anos não posso deixar passar esta manifestação para também e juntos dos da minha geração mostrar o meu descontamento por este País por este mundo. Afinal quem nos (des)GOVERNA? Temos de mostrar o nosso descontamento por estas regras que nos são impostas. É tempo de dizer, chega, basta, afinal fomos abandonados por aqueles que nos “venderam” um País justo, um País de igualdades, afinal onde esta esse País.
    Chega estou cansado de mentiras sinto-me traido e desiludido.
    Sábado la estarei em Leiria.
    Um abraço e viva a Geração (á)Rasca afinal queiram ou não somos o futuro, e o futuro depende do que fizermos hoje para termos “amanhã”.

    • be wise diz:

      Quem nos governa é aquele que melhor donina o sistema…

      Com jeitinhos e com um grade saco Azul de favores toma lá dá cá e outros… é dos melhores no actual sistema dái ser 1º ministro. não tem mérito pessoal legal, depressa descobriu tirar uma licenciatura não era obter conhecimento e merito, só é preciso um Papel. ele é Mester no nosso sistema. e é premiado por isso. os que estudam e tem mérito, facilmente caem na teia destes bem relacionados falantes e o máximo que conseguem é ser explorados a recibos verdes para enriquecimento dos outros. // na minha area profissional… e eu até me considero razoavelmente bom naquilo que faço. ( estudei e estudo ) a 1ª coisa que o cliente me pergunta é se em conheço alguém na entidade que vai apreciar o meu trabalho… não interessa se eu faço bem… muito bem ou mal… o que interessa é saber se tenho contrato com alguém que faça o “jeitinho”… mete-me nojo… e como devem calcular perco os clientes… e fico sem trabalho e sem rendimentos.

  33. joaquim valente diz:

    O meu agradecimento a todos os que se preocupam pelo futuro deste país…

    Mas mais importante é apresentarem soluções.
    Manifestar sem apresentar uma solução para o país é algo que todos os partidos já fizeram.

    Disso está o mundo cheio… manifestar é muito fácil… difícil é pensar, difícil é desenhar, difícil é produzir, difícil é trabalhar…

    Perguntem aos que ganham mais de 3 mil euros, se estão dispostos a abdicarem de parte do seu salário para que possam aumentar o salário dos mal remunerados?

    Porque meus amigos, qualquer que seja o salário mínimo, enquanto existirem absurdas diferenças salariais… o país será sempre injusto… e não venham com a treta que os bons vão para fora do país… então que vão… os maus governar-se-ão.

    PENSEM NISTO…

    Deixo o meu e-mail para quem quiser trocar ideias e queira o meu contributo na criação de uma nação exemplar…. sim exemplar… é possível e basta usar um pouco de imaginação…

    joaquimvalente@iol.pt

    • Bruno Gomes diz:

      Pois é precisamente por pensamentos como os seus que isto nunca mais muda….
      Que raio de ideia de tirar dinheiro a quem ganha mais que 3000€????
      E porque não os que ganham mais de 2000€? Ou 2500€?

      A solução passaria sempre, mas sempre, por aumentar quem ganha menos e tem piores condições de trabalho. Nesse ponto estamos de acordo. Mas tirar a quem ganha mais não me parece seque lógico!!!!

      É por causa desse pensamento que cada vez mais, todos nós ( os que ganham 500€ ou os que ganham 1000€ ou os que ganham 3000€), ganhamos menos.

      Temos é de fazer ver aos sR’s politicos que devem de gastar o dinheiro que é de todos, tão mal gasto.

      Também deixo aqui uma reflexão ( ainda que não profunda), em geito de sugestão/provocação:

      Está mais que visto que os politicos não gastam nem nunca gastaram menos. Daí que a solução passa por lhes dar menos dinheiro. Poderiam taxar o IVA a 23% por exemplo, mas se todos pagassem apenas 10% o que aconteceria? Como? Eu digo como:
      Vais ao supermercado e pagas com dinheiro, e quando te apresentarem a conta ( paraser mais facil imagina que são 123€), tu pagarias apenas 110€, e a empresa por seu lado também só pagaria 10% de imposto.

      Bem sei que é um grande devaneio, mas tem de ser por lhes dar-mos menos dinheirp para gastar.

      Até Sábado

      • Joaquim Valente diz:

        Todos gostamos de ganhar muito dinheiro. No entanto, temos que pensar que vivemos numa sociedade global. Estamos a competir com países que têm salários de 100 e 200 euros mensais.

        Quando refiro o tecto de 3 mil euros, é um valor aceitável nos dias de hoje. Qualquer português vive bem com 3 mil euros por mês. Penso que este ponto é pacífico.

        Não adianta que o salário mínimo seja de 2 mil euros, se os salários médios passarem para 10 mil euros. Entendam isto.

        O problema das sociedades, desde a sua origem, é a diferença de classes. SOMOS TODOS IGUAIS.

        Enquanto tivermos diferenças salariais absurdas, as guerras, os conflitos vão surgir. Foi sempre assim, basta ler a história.

        Conflitos de reinos e impérios, porque uns tinham mais que outros. Agora, conflito de classess, porque uns ganham mais que outros.

        Se a equidade existisse, seríamos todos muito mais felizes.

        Este sistema democrático está falido… estes políticos estão esgotados… Para que precisamos num país com 10 milhões de pessoas, um presidente da república, um presidente da assembleia, vices para tudo, primeiro-ministro e por aí andando… mais uns nomeados com salários aberrantes…

        Repensemos um novo estado… um novo sistema… isso é que é necessário. Claro que a manifestação será um excelente começo, mas não podemos parar por aí…

        E ATENÇÃO, NADA DE VIOLÊNCIA…
        PODEMOS MUDAR TUDO, SEM QUALQUER VIOLÊNCIA.

        O POVO É QUE TEM O PODER

  34. Pingback: Protesto da Geração À Rasca » AEFCL

  35. Gato Preto diz:

    Caros organizadores:
    Sou da geração dos 50 anos e estou totalmente solidário com o vosso protesto. Por isso, também descerei a avenida convosco. Claro que partilho algumas críticas do primeiro comentador, porque, no fundo, todas as gerações estão “à rasca”, pelas razões que ele, muito bem, referiu. Apesar disso, penso que a vossa iniciativa é muito válida como forrma de combate ao regime austeritário que o grande capital internacional quer impor a toda a Europa. E não é por acaso que o “stablishment” começa a mostrar-se incomodado com ela. Relativamente à presença de dirigentes partidários e/ou sindicais, que apareçam como cidadãos mas que não tentem controlar as palavras de ordem nem apareçam no palanque. E também não permitam bandeiras de partidos e/ou sindicatos, pois tal desvirtuaria o espírito que presidiu à iniciativa.

  36. Joaquim Correia diz:

    Eu tenho um bom emprego mas, lá está… fora do país. É pena não poder ter as mesmas condições trabalhando cá. Estou solidário. Lá estarei no dia do protesto.

    Não concordo com o convite a partidos políticos. Não sejamos ingénuos, o que eles procuram é assumir um progagonismo que não é deles (espero!) e tirar dividendos políticos para usar em proveito daqueles que nos deixaram na situação em que estamos. Deveriam convidar toda a sociedade civil sim senhor e isso já engloga políticos mas não com espírito de militância.

  37. Este deve ser um protesto apartidário, laico e pacifico, não têm lugar nele qualquer partido politico, pois todos os partidos políticos estão comprometidos com o estado a que chegou o nosso país, no protesto deve-mos todos evitar que apareça quem se queira aproveitar para retirar dele aproveitamentos políticos, acima de tudo este deve ser um protesto pacifico.

    http://brigadascinzacoelho.blogspot.com/2011/03/crise-quando-nasce-nao-e-para-todos.html

  38. Embora de outra geração estou solidário convosco e vou procurar participar na manifestação (já agora concordo com quem diz que era preferível subir a Av. da Liberdade que descê-la. Pelo menos era original!)

    No entanto esta Declaração, bem como título da página oficial do Facebook, suscitam-me muitas dúvidas, que não cabe descrever em detalhe neste espaço, mas podem ser vistas aqui: http://resprivata.blogspot.com/2011/03/manifestacao-de-12-de-marco-de-2011.html.

    Resumindo, penso três coisas que considero relevantes:

    1. que é importante que a manifestação se mantenha, como a Carta Aberta afirma, “apartidária, laica e pacífica”. Se houve convites a personalidades de partidos políticos, como já vi alegar, isso foi na minha opinião um erro, e se dirigentes políticos ou sindicais aparecerem (o que é legítimo) não se lhes consinta que tomem a cabeça da manifestação, ou que desfraldem bandeiras, dísticos ou slogans partidários, mas que se conservem “no meio da manifestação”.

    2. Há dois erros, a meu ver graves, nesta carta aberta. O primeiro é o seguinte: as dificuldades que a (as pessoas da) geração que convoca a manifestação sente não são piores do que as da geração 10 ou 20 anos mais velha, também ela “enrascadas”, com o desemprego, os cortes nos salários, o aumento dos custos, etc., nem pela geração 30 a 50 anos mais velha, enrascada por pensões de miséria, por cortes na assistência e serviços de saúde, etc. Em suma, em vez de um vago “não protestamos contra as outras gerações” teria sido mais correcto, por um lado, perceber que o problema é “sistémico” e afecta uma grande fracção dos portugueses de todas as gerações e, portanto, apelar explicitamente às outras gerações para se juntarem à manifestação.

    3. Por outro lado, por toda a carta aberta perpassa um pseudo-elitismo, que é desnecessário e errado. Dizer repetidamente que “sendo nós a geração mais qualificada de sempre” e que “somos a geração com o maior nível de formação da história do país”, não apenas contribui para afastar as pessoas com outra idade ou outras formações, como está errada.

    Esta é uma geração que, em boa medida em virtude do facilitismo generalizado do sistema de ensino e da necessidade deste Governo mostrar “boas estatísticas” (para consumo externo e interno), atingiu os maiores níveis de “escolaridade certificada” de sempre. Mas as pessoas de 50-60 anos que tinham o 7º ano têm uma formação formal possivelmente tão grande como a vossa com licenciaturas, ou mesmo mestrados, de Bolonha, obtidos em muitas escolas de qualidade duvidosa e têm uma experiência de vida e “qualificações, competências e experiência” (palavras vossas), que são por certo maiores que as desta geração.

    Desvalorizá-los e desmobilizá-los com o vosso pseudo-elitismo, que seria necessário provar (em vez de acreditarem no que os políticos e os media vos querem impingir e, aparentemente, aceitam como bom), não me parece, nem sensato, nem agregador, nem sequer correcto.

    4. Mas tudo isso, sendo importante, são aspectos que podem vir a ser corrigidos no futuro. Sejam ou não os “melhor formados de sempre”, há um mérito que ninguém vos pode tirar: desde 1975, vocês são o primeiro sinal de uma “sociedade civil” activa e que quer transformar o país. Desejo-vos sorte para a manifestação e manifesto esperança no que poderá resultar dela – se não desistirem às primeiras dificuldades.

    Vir Cabral

  39. carpelife diz:

    Levantem-se as vozes que querem calar. Vamos mostrar aos politicos o porquê deles estarem onde estão. GraÇas a nós e à nossa voz. Podemos fazer a mudanÇa na sociedade portuguesa e fazer o que por toda a Europa se faz. Protesta-se, sai-se à rua e as coisas de facto mudam. A mudanÇa é mais do que necessária!

    Be the change you wish to see in the world
    =O)

  40. James diz:

    Não sei se manifs. servem para alguma coisa se não forem seguidas por umas outras ‘coisinhas’ que não me cheira que «bosselências» saibam / estejam dispostoa a faxer.
    (Chama-se ‘trabalho de massas’ e outras coisas, mas realmente o meu tempo já era, façam como axarem bem, e divirtam-se, era o que nós faxíamos…)

    Boa sorte !
    :-)

  41. oscar cruz diz:

    Estes jovens não são parvos

    Estes jovens não são parvos
    Procuram a solução
    Querem emancipação
    Um mundo mais repartido
    Que a vida tenha sentido
    Todos tenham lugar
    Dentro e fora do partido
    Combatendo a ganância
    E a falsa militância
    Que os tenta convencer
    Que a crise é para vencer
    Com o excesso de impostos
    Que os mandantes impõem
    Sabendo a quem os põem
    No deles não vão descontar
    E estão-se a marimbar
    Se acabaram de estudar
    E se querem empregar
    E sua vida orientar
    Pela cabeça pensar
    Poder viver na decência
    Sem estar na dependência
    Que é preciso modificar
    Que é preciso motivar
    Que é preciso a mudança
    Dos que só enchem a “pança”
    E mandá-los para a “França”
    É essa a grande esperança
    Que se mude de dança
    E que se volte ao vira
    E a seguir ao corridinho
    Porque a malta é gira
    Quer traçar outro caminho
    Criar outra postura
    P`ra vida não ser tão dura
    Porque a água também fura
    E a corrente sempre corre
    Quando a esperança não morre
    E mantê-la bem viva
    Querendo curar a ferida
    Para a tornar saudável
    Tendendo ser razoável
    Irão assim protestar
    A fim de reivindicar
    Para matar esta larva
    Que diz: <A jovem é parva!
    Que diz: <O jovem é rasca!
    Isto é conversa de bimbos
    Que só sabe pôr carimbos
    E que os quer rotular
    Mas, eles não vão deixar
    Que o fado se vá prolongar
    Querendo mudar o tema
    Acabar com o dilema
    De estar em casa dos pais
    Porque merecem muito mais
    Esta é que é a verdade
    Gritando se for preciso
    E lançando o aviso
    De parvos não tem nada
    Não acreditam na fada
    Nem na vara de condão
    Pois chegou a ocasião
    De mudar de situação
    Pois aquilo que vemos
    É que já não são pequenos
    Nem jovens inexperientes
    Também são exigentes
    Porque lembram mais uma vez
    Aprenderam com vocês
    Foram muitas as lições
    Criaram-lhes mil ilusões
    Que não há fogo sem fumo
    E querem mudar o rumo…

    04.03.2011

    Velho jovem

  42. Bernardo Vidal diz:

    Este apelo é um erro descomunal e já se estão a sentir as consequências…

  43. Jose joão diz:

    Já o disse… Não aceitem dirigentes partidários ou sindicalistas na manifestação ou a falar por vocês.
    Sejam diferentes subam a Avenida descer é o que todos fazem…É mais fácil .

    • Manuel Rocha diz:

      “Não aceitem dirigentes partidários” é um apelo quase-fascista. Negar que os partidos são uma conquista essencial da democracia revela cegueira de quem é mesmo cego ou, ao contrário, vê demasiado bem. É quase como dizer: vistamo-nos todos de camisa castanha, entremos nas sedes dos partidos e façamos uma fogueira com os livros das suas ideias, queimemos as suas bandeiras, linchemos os “obtusos” militantes. É quase como limpar a responsabilidade de políticas concretas, conduzidas por políticos concretos, votadas por cidadãos concretos em cruzes colocadas livremente em boletins de voto. A questão é: se as cruzes foram postas no sítio errado (também por muitos daqueles que hão-de descer a avenida no dia 12), haja, pois, a lucidez de alterar o lugar das cruzes. Mas negar as regras e ofender os protagonistas da democracia – cada um de nós, seja quem e aquilo que for – é que não!

  44. Carlos Alberto Lima diz:

    Bom dia!

    À organização, aos participantes e a todos que por uma ou outra razão concordando não , participando fisicamente ou virtualmente, deste evento espontâneo e apartidário, antes cívico e no pleno uso do DIREITO À CIDADANIA e pelo seu EXERCÍCIO LIVRE, CONSCIENTE E REIVINDICATIVO, junto de quem de direito, o meu apreço e testemunho da concordância de tudo que aqui é formulado.

    Um apelo , a todos vós….não deixem esfriar este inovador protesto , protesto fundamentado na realidade triste em que milhares de jovens defraudados pelo poder instalado, pela sociedade civil e empresarial, lembrem-se que parar é morrer.

    Eis porque aqui fica o meu apelo a todos vós, para que continuem na senda e luta por uma maior(hoje ela é ínfima) Justiça social, melhores condições de vida, mais ( TRABALHO, cuidados na SAÚDE, HABITAÇÃO, mais e melhor ENSINO, DIREITO À FELICIDADE, À FAMÍLIA ) para todos os jovens , adultos ,por um PORTUGAL mais solidário e fraterno onde a riqueza não esteja só ao alcance de alguns para explorarem muitos da nossa População.

    DAR VIDA A ESTE MOVIMENTO ESPONTÂNEO É TAMBÉM POR SI SÓ UM DIREITO E DEVER CÍVICOS DE TODOS NÓS.

    DAR VIDA E QUE ELA PROSSIGA, COM A LEGALIZAÇÃO INSTITUCIONAL AINDA QUE APARTIDÁRIA, MAS QUE SEJA CONSCIENTE FORMA DE LUTA E DE INTERVENÇÃO .

    Parafraseando o cantor” O QUE FAZ FALTA É AVISAR A MALTA……”!

    SAUDAÇÕES SOLIDÁRIAS CONVOSCO!

    2011.03.04.
    SEXTA-FEIRA, 06,11 HORAS
    PORTUGAL

    • A.Gonçalves diz:

      Penso que entendi tudo o que li : A minha opinião é de total concordância .
      Penso que este movimento é justo e oportuno face à situação actual ….
      Penso também como já foi antes referido : Este deve ser um movimento de manifestação cívica e totalmente isenta de politiquices de que estamos fartos.

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